"Quero morrer", anunciou Clemence, 14 anos, em seu blog na Internet. Uma semana depois de seu desaparecimento, seu corpo não tinha sido encontrado, provavelmente levado pela correnteza, enquanto Noemie, 15 anos, encontrada morta no sopé de um penhasco da região de Calais (noroeste), foi enterrada hoje.
Os blogs de Clemence e Noemie anunciaram as suas mortes dias antes de tirarem do suicídio duplo. Na página na Internet, em que se apresentava como "Anjo de Tristeza", Clemence explicou o desejo de pôr um fim à vida com poemas, fotos, referências ao amor não correspondido, ao sangue, à dor de viver e à fascinação pela morte. "A vida é feia, a morte é bela. Tomara que eu morra! (...) A minha vida terminou justamente quando acabou de começar", escreveu a jovem neste blog, ilustrado pela imagem de um anjo caído, com as asas arrancadas.
Para muitos jovens, estes espaços na Internet são o meio que encontram para falar de sua verdadeira tristeza sem se comprometer, de pedir ajuda e anunciar sua morte com a esperança secreta de que alguém faça algo para impedi-lo. Por isso, o misterioso drama de Noemie e Clemence abriu um debate na França sobre a necessidade de fixar regras e limites a estes novos espaços de comunicação, sem, no entanto, censurá-los.
Durante o enterro de Noemie hoje, seus colegas de escola admitiram, ainda comovidos, que a jovem "falava freqüentemente sobre a morte", mas sempre sorrindo.
O suicídio é a segunda causa de morte de jovens entre 15 e 24 anos, depois dos acidentes de trânsito, segundo dados do Barômetro de Saúde Juvenil. A cada ano, 650 jovens tiram suas vidas na França, um dos países europeus com maiores índices de suicídio.
AFP