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Chávez pede resistência ao imperialismo dos EUA

Domingo, 30 de janeiro de 2005, 21h28
Chávez palestra no Fórum Social Mundial em Porto Alegre
Chávez palestra no Fórum Social Mundial em Porto Alegre
30 de janeiro de 2005
EFE


Em discurso durante o Fórum Social Mundial de Porto Alegre, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, reforçou aos participantes a necessidade da integração latino-americana e caribenha para se defender do imperialismo norte-americano. Reconhecendo que as relações entre Caracas e Washigton são tormentosas, Chávez disse que vai continuar sendo assim enquanto houver "agressão imperialista" por parte dos norte-americanos.

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    Chávez falara mais cedo, em entrevista à imprensa, que o presidente Bush é um "superman lutando pela justiça", referindo-se à guerra contra o terrorismo que Washington lidera no mundo. "O que acontece é que nós temos criptonita vermelha e da boa", ironizou. "A maior força negativa deste mundo chama-se Estados Unidos", declarou.

    À noite, no Gigantinho, afirmou que "algum dia a podridão interna vai botar abaixo o império" e que "emergirá o povo livre de Martin Luther King". Citou como exemplos dessa podridão interna a repressão crescente nos Estados Unidos e a Lei Patriótica.

    Muito carismático, chegou a cantar para o público - um trecho de uma música sobre Che Guevara, falou dos netos, fez outras brincadeiras, homenageou as mulheres ("las tipas") e citou líderes como Jesus Cristo, Mao Tsé Tung, Che Guevara, Fidel Castro, Bolivar e Sandino, entre outros.

    Ele reiterou para a platéia de 12 mil pessoas no Gigantinho que é um revolucionário. "A cada dia me convenço mais de que o único caminho para romper o domínio das elites sobre esta terra é a revolução", disse.

    Chávez começou a falar depois do diretor do Le Monde Diplomatique, Ignácio Ramonet, e foi ovacionado pelos presentes durante todo o tempo. Foi logo anunciando que ia falar lentamente, para que todos pudessem entendê-lo melhor. "Não aprendi ainda o 'portunhol'. E o 'English', muito menos", brincou.

    "Se não fizermos o que temos de fazer - construir um mundo melhor -, se não houver força suficiente no Sul para resistir ao imperialismo de Bush, o mundo vai rumar direto para a destruição", alertou Chávez.

    Ele citou o MST como "um exemplo de luta para todo o continente", e disse que o movimento tem servido de modelo para os venezuelanos. Ao falar sobre sua viagem ao Rio Grande do Sul e os compromissos que cumpriu depois da chegada contou, em tom de brincadeira, que o líder do MST, João Pedro Stédile, disse-lhe que acompanhá-lo (Chávez) era "mais difícil que invadir terras".

    O presidente venezuelano afirmou que foi a Porto Alegre porque o Fórum Mundial é o movimento social e político mais importante hoje e tornou-se, nestes cinco anos, uma plataforma sólida para o debate. Ele completou dizendo que a delegação venezuelana foi ao FSM para "aprender e apreender", encher-se de paixão e energia no evento que "reúne e dá voz a todos os excluídos do mundo". E agradeceu toda a solidariedade à Venezuela sempre demonstrada pelos ativistas.

    O companheiro Lula
    Durante a palestra de Chávez, houve algumas vaias ao governo Lula, e num momento em que o presidente venezuelano falou sobre líderes que, ao chegar ao poder, não cumprem o que o povo espera, sucumbem ao medo, parte da platéia gritou "Lula, Lula". Também havia um revezamento nos gritos entre manifestantes que gritavam contra o governo brasileiro e os que cantavam "Lula lá", defendendo o presidente.

    Chávez falou, em determinado momento, que daria um recado, pediu atenção, disse que "para bons entendedores poucas palavras bastariam" e afirmou: "no primeiro capítulo de seu primeiro livro, Mao Tsé Tung ensina que, na revolução, é preciso ver bem quem são os verdadeiros amigos e quem são os reais inimigos".

    O recado ficou ainda mais claro ao final do evento, quando o presidente venezuelano afirmou que não poderia falar da situação interna (referindo-se ao Brasil). Mas disse que nos seus dois primeiros anos de governo, muitos dos seus próprios companheiros reclamavam, tinham pressa, queriam radicalizar, e ele sentia que não era o momento. Disse que Lula é um bom companheiro, um homem de bem. "A revolução exige paciência, constância, trabalho e consciência", disse Chávez.

    Vaias e aplausos
    Junto a Chávez, estavam no palco o ministro das Cidades, Olívio Dutra, Cândido Grzybowski, diretor do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase) e integrante do Comitê de Organização Internacional do Fórum, o presidente da CUT, Luiz Marinho, e o diretor do jornal francês Le Monde Diplomatique, Ignácio Ramonet. Assim como Chávez, Olívio Dutra foi ovacionado e aplaudido, levando algumas vaias apenas quando citou - e defendeu - o governo Lula. Já Luiz Marinho não teve a mesma recepção. Ao ser anunciado seu nome, foi bastante vaiado, e durante os cerca de cinco minutos em que falou, teve que gritar para ser ouvido em meios às vaias e gritos de "pelego".

    Ramonet também agradou, dizendo que o presidente venezuelano é um novo tipo de líder democrático e revolucionário. O diretor do Ibase saudou a candidatura da Venezuela a sede do Fórum Social Mundial nas Américas em 2006. A próxima edição do evento será realizada em mais de um continente e, em 2007, na África.

    Público
    Inicialmente marcado para 17h, o evento começou, mesmo, pouco antes das 20h. Mas por volta das 18h, a fila de gente para entrar no estádio ainda tinha cerca de cinco quilômetros. Ficaram do lado de fora do Gigantinho 13 mil pessoas, de acordo com a Brigada Militar. Dentro, 12 mil.

    Encerrada a palestra, pouco depois das 22h, o presidente venezuelano iria dirigir-se ao Hotel Sheraton, para um jantar com o governador do Estado, Germano Rigotto.

    Redação Terra
  • Leia esta notícia no original em:
    Terra - Brasil
    http://noticias.terra.com.br/interna/0,,OI463605-EI4624,00.html