Notícias Especial » Fórum Social Mundial 2005

Fórum Social Mundial dará ampla atenção à cultura

Terça, 18 de janeiro de 2005, 12h02


Os eventos culturais da 5º edição do Fórum Social Mundial (FSM) estarão presentes em toda a programação. Pela primeira vez, todas as inscrições de artistas para se apresentarem durante o Fórum foram aceitas. Serão 240 apresentações de dança, teatro, música, audiovisual e exposições de fotos, artes plásticas e instalações multimídias.

Os espaços de discussão do evento serão contemplados com cultura, que será uma "companhia inseparável para proporcionar uma outra sensibilidade às temáticas", diz o produtor cultural do FSM, Ben Berardi. Para o tema O humano e os litígios nas fronteiras, por exemplo, foram criadas instalações sobre Holanda, Moçambique, Gana, Argentina, Índia e Brasil que decoram todos os ambientes.

No último dia 14, houve uma oficina de produção de bonecos gigantes que farão parte da marcha de abertura oficial do Fórum no próximo dia 26. Os participantes estão sendo convidados a levar instrumentos de percussão.

Durante a caminhada, dezenas de grupos artísticos estarão misturados à multidão (são esperadas cem mil pessoas). O lema é a construção de um "outro mundo possível sem guerras". A concentração dos Tambores e vozes pela paz será às 16h30 no centro da cidade.

Um grupo musical indiano fará a reentrega simbólica do Fórum a Porto Alegre. A Índia foi sede do FSM em 2004. Os cantores Gilberto Gil e Manu Chao também participam da abertura.

Entre os 240 grupos artísticos, 60% são latinos, sendo 40% brasileiros, segundo o produtor cultural do FSM. O segundo país com maior participação é a Argentina. Nenhum artista receberá cachê para participar, mas alguns grupos que não possuem condições financeiras receberam ajuda de alimentação, hospedagem ou passagem. Artistas não inscritos que forem ao Fórum também poderão mostrar suas obras. Além de quatro palcos principais, outros onze foram montados para qualquer pessoa que queira se expressar.

A diversidade
Enquanto a diversidade entre os povos será discutida em mesas redondas e palestras, a diversidade da música brasileira será mostrada nos palcos. O samba de Paulinho da Viola e da Velha Guarda da Portela, a sanfona e o acordeon do forró do paraibano Sivuca, o ritmo de Jorge Ben Jor e o rock dos paulistas do Ira e dos capixabas do Dead Fish são algumas das atrações no anfiteatro Pôr-do-Sol.

Outra novidade em 2005 é o espaço reservado para a arte indígena, montado no Território Social Mundial. A cultura e as lutas indígenas serão mostradas por quatrocentos índios, representando cerca de cem povos. Cotidiano, espiritualidade, recursos naturais, direitos constitucionais, um sistema jurídico próprio e os problemas enfrentados pelas tribos fazem parte do encontro denominado Puxirum, que em tupi-guarani significa uma reunião de esforços em torno de um objetivo comum. Uma feira será montada para mostrar as diferentes técnicas utilizadas no artesanato indígena. Parte da programação do Puxirum necessita de inscrição prévia, que pode ser feita no site www.coica.org.

Os participantes do Fórum podem ainda ajudar na construção da diversidade cultural por meio da literatura. Esta é a idéia do Mosaico de Livros - Biblioteca Mundial Social. Desde 2001, estão sendo recolhidos livros - em qualquer idioma - com temas sobre alternativas para a construção de um mundo melhor. O objetivo é inaugurar neste ano a biblioteca. O acervo ficará em Porto Alegre, mas o Mosaico funcionará também pela internet. Mais de quatro mil livros já foram arrecadados nas edições anteriores do Fórum. A expectativa é chegar a vinte mil obras disponíveis para pesquisa. O site é www.mosaicodelivrosfsm.org.

Agência Brasil
Leia esta notícia no original em:
Terra - Brasil
http://noticias.terra.com.br/interna/0,,OI456393-EI4624,00.html