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Suíça aprova uso de células-tronco em pesquisas

Domingo, 28 de novembro de 2004, 19h21


A maioria dos suíços votou neste domingo a favor de que os cientistas possam utilizar embriões humanos obtidos por fecundação "in vitro" para desenvolver novos tratamentos contra doenças graves ou incuráveis, como o mal de Alzheimer, o mal de Parkinson e insuficiência cardíaca. Os resultados indicam que 66,4% dos eleitores aprovaram a nova lei sobre a Pesquisa com Células-Tronco, contra 33,6% votos que rejeitaram a medida.

A legislação aprovada permite obter as células-tronco de embriões fecundados artificialmente e inevitavelmente destinados à destruição, já que não podem ser implantados num útero porque não são perfeitos. O referendo criou uma polêmica nas últimas semanas por causa das implicações científicas e éticas sobre a utilização de embriões humanos para pesquisas em biotecnologia.

Associações contra o aborto e grupos ecológicos são os principais adversários da idéia. Eles acusam a indústria farmacêutica de buscar benefícios econômicos com o desenvolvimento de novos tratamentos para doenças comuns principalmente em países desenvolvidos.

Os grupos que apóiam o projeto argumentavam que a questão é a possibilidade de oferecer maiores esperanças para quem sofre de doenças graves ou incuráveis, que poderiam ser tratadas se as pesquisas avançarem. As expectativas são muito altas. Há inclusive a possibilidade de algum dia substituir as células danificadas num organismo por outras sadias, porque as células-tronco são capazes de se desenvolver em qualquer um dos 200 tipos de tecidos do corpo humano. Para isto, é preciso deixar o embrião humano se desenvolver até o sétimo dia, prazo indicado para extrair as células.

A lei aprovada no referendo de hoje permite que farmacêuticas e a comunidade científica se associem para seguir esta pista, mas sempre respeitando uma série de restrições. Uma delas é que o embrião deverá ser destruído imediatamente se os pais se negarem a autorizar a extração de células-tronco. Também será expressamente proibido criar embriões para fins unicamente científicos.

Igualmente, proíbe-se a importação e a exportação de embriões, assim como a venda destes e de suas células, que só poderão ser obtidos gratuitamente. Além disso, as autoridades incorporaram ao texto a condição de que, para iniciar uma pesquisa com células-tronco, será preciso a autorização prévia da Comissão Federal de Ética da Suíça, encarregada de determinar que o projeto é eticamente aceitável e de rigor científico.

Por outro lado, práticas como a clonagem ficam expressamente proibidas. Assim, a Suíça acompanha outros países, como o Reino Unido, que autorizou há mais de três anos as pesquisas médicas neste campo. As células-tronco têm ainda a vantagem de não envelhecer nos cultivos de laboratório, possuindo uma capacidade de reprodução teoricamente ilimitada.

EFE
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Terra - Brasil
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