A legislação aprovada permite obter as células-tronco de embriões fecundados artificialmente e inevitavelmente destinados à destruição, já que não podem ser implantados num útero porque não são perfeitos. O referendo criou uma polêmica nas últimas semanas por causa das implicações científicas e éticas sobre a utilização de embriões humanos para pesquisas em biotecnologia.
Associações contra o aborto e grupos ecológicos são os principais adversários da idéia. Eles acusam a indústria farmacêutica de buscar benefícios econômicos com o desenvolvimento de novos tratamentos para doenças comuns principalmente em países desenvolvidos.
Os grupos que apóiam o projeto argumentavam que a questão é a possibilidade de oferecer maiores esperanças para quem sofre de doenças graves ou incuráveis, que poderiam ser tratadas se as pesquisas avançarem. As expectativas são muito altas. Há inclusive a possibilidade de algum dia substituir as células danificadas num organismo por outras sadias, porque as células-tronco são capazes de se desenvolver em qualquer um dos 200 tipos de tecidos do corpo humano. Para isto, é preciso deixar o embrião humano se desenvolver até o sétimo dia, prazo indicado para extrair as células.
A lei aprovada no referendo de hoje permite que farmacêuticas e a comunidade científica se associem para seguir esta pista, mas sempre respeitando uma série de restrições. Uma delas é que o embrião deverá ser destruído imediatamente se os pais se negarem a autorizar a extração de células-tronco. Também será expressamente proibido criar embriões para fins unicamente científicos.
Igualmente, proíbe-se a importação e a exportação de embriões, assim como a venda destes e de suas células, que só poderão ser obtidos gratuitamente. Além disso, as autoridades incorporaram ao texto a condição de que, para iniciar uma pesquisa com células-tronco, será preciso a autorização prévia da Comissão Federal de Ética da Suíça, encarregada de determinar que o projeto é eticamente aceitável e de rigor científico.
Por outro lado, práticas como a clonagem ficam expressamente proibidas. Assim, a Suíça acompanha outros países, como o Reino Unido, que autorizou há mais de três anos as pesquisas médicas neste campo. As células-tronco têm ainda a vantagem de não envelhecer nos cultivos de laboratório, possuindo uma capacidade de reprodução teoricamente ilimitada.
EFE