Em carta a Perben, a organização solicita que a certidão "errada e incompleta" seja corrigida "para evitar qualquer especulação", de acordo com um comunicado do centro. Arafat morreu na quinta-feira passada, aos 75 anos de idade, no hospital militar de Percy, nos arredores de Paris, onde tinha sido internado 13 dias antes.
O líder palestino passou oito dias em coma, mas os médicos não revelaram a causa de sua doença até agora. Hoje, fontes da Prefeitura de Clamart, onde fica o hospital de Percy, confirmaram que Jerusalém aparece na certidão de óbito como cidade natal de Arafat. Os biógrafos do líder palestino, no entanto, afirmam que ele nasceu no Cairo.
A informação foi incluída em virtude do álbum de família francês apresentado pela viúva de Arafat, Suha. O documento data de 1996 e foi emitido pelo Ministério do Exterior da França com o nascimento da filha única de Arafat, Zahwa, em Paris. Na carta a Perben, o Centro Wiesenthal solicita retificação nas "indicações enganosas relaconadas ao local de nascimento" de Arafat e que as causas de sua morte sejam especificadas.
Conforme a organização, que se encarrega de denunciar e investigar atos de anti-semitismo e o paradeiros de nazistas ou colaboracionistas no mundo todo, os biógrafos de Arafat e as autoridades egípcias "reconhecem o Cairo como seu local de nascimento". O centro também afirma que "o equívoco mantido pelo hospital no diagnóstico da doença suscitou acusações de assassinato que só podem exacerbar futuros atos de violência no Oriente Médio".
A falta de informação dos médicos franceses sobre a causa da morte de Arafat, abriu espaço para diversas especulações - entre elas, a de um possível envenenamento, defendida por alguns dirigentes palestinos. Para o Centro Wiesenthal, "a ambigüidade ou dissimulação permitem especulações ou o surgimento de mitos que prejudicariam a tradição legal francesa, assim como as esperanças de paz da era pós-Arafat".
EFE