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EUA atacam insurgentes sunitas e xiitas em Faluja e Bagdá

Domingo, 26 de setembro de 2004, 12h21


Por Namir Sobhi

Enquanto os Estados Unidos continuam bombardeando redutos da insurgência, seja a sunita em Faluja ou a xiita no bairro de Cidade Sadr, em Bagdá, um conselho de muçulmanos britânicos está no Iraque para tentar salvar a vida de Kenneth Bigley.

Pelo menos oito iraquianos morreram na madrugada de domingo e outros 22 ficaram feridos nos novos bombardeios da aviação americana sobre a cidade de Faluja, cerca de 60 quilômetros a oeste de Bagdá, informaram os hospitais da localidade, acrescentando que a maioria das vítimas são mulheres e crianças.

Dessa forma, já são 16 os mortos civis no reduto sunita de Faluja em menos de 24 horas em conseqüência dos "ataques de precisão" do exército americano.

Esse ataque mirou várias casas do bairro de Gholan, na zona norte da localidade, que ficaram completamente destruídas após várias horas de bombardeios, segundo relataram várias testemunhas entrevistadas pela rede árabe de TV Al Arabiya.

O exército dos EUA confirmou o ataque através de um comunicado distribuído em Bagdá no qual garante que tinha como alvo um local de reunião do grupo Tauhid wal Jihad (Monoteísmo e Guerra Santa), do terrorista jordaniano Abu Musab al-Zarqawi, que está ligado à rede Al Qaeda.

Segundo a nota do exército, o bombardeio começou às 22.00 de ontem e foi dirigido contra "um grupo de terroristas" no bairro de Gholan, em Faluja.

"Fontes dos serviços de informação revelaram que cerca de dez terroristas estavam reunidos nesse local, onde planejavam operações contra civis iraquianos inocentes e a força multinacional", conclui o comunicado.

Fontes do Hospital Geral de Faluja disseram que todos os mortos no ataque eram civis.

"Deram entrada oito cadáveres, entre os quais havia mulheres e crianças", disse o vice-diretor do centro, Ali Heyad.

Na noite anterior, outros oito iraquianos, entre eles uma mulher e três crianças, morreram em outro bombardeio sobre a parte oeste da cidade. O ataque deixou 11 pessoas feridas, entre elas três crianças.

Além disso, o exército americano voltou a usar sua artilharia no bairro de Cidade Sadr, no leste da capital, localidade quase exclusiva de xiitas e onde o clérigo radical Moqtada al Sadr é muito popular.

Até o momento não se sabe se essa nova incursão deixou vítimas entre a população do pobre bairro, no qual se amontoam dois milhões de xiitas das camadas mais baixas da sociedade.

Cidade Sadr é precisamente o local onde Moqtada al Sadr atuava e onde tem sua principal base a milícia que o protege, o Exército Mehdi.

Os milicianos atacam praticamente todos os dias os veículos militares americanos que tentam patrulhar o distrito. Os soldados, em represália, usam a artilharia e a aviação para tentar destruir as barricadas a partir de onde são atacados.

Além disso, outro civil morreu esta manhã na explosão de uma bomba que caiu em um populoso bairro do oeste da capital. Os insurgentes utilizam esse tipo de arma para atacar a chamada "zona verde", o recinto fortemente protegido que abriga as embaixadas dos EUA e do Reino Unido, além dos edifícios do governo provisório.

Uma delegação do Conselho de Muçulmanos de Reino Unido chegou na noite passada a Bagdá com o fim de interceder pelo refém Kenneth Bigley.

Bigley, um engenheiro de 62 anos, foi seqüestrado em 16 de setembro passado junto com dois colegas americanos de sua casa no centro da capital iraquiana.

Os dois americanos, Eugene Armstrong e Jack Hensley, foram decapitados pelo mesmo grupo de Zarqawi que reivindicou vários seqüestros de estrangeiros.

EFE
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Terra - Brasil
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