Um estudo divulgado hoje mostra que homens que apresentam temperatura corporal baixa, baixos níveis de insulina e uma redução mais lenta nas taxas do hormônio DHEAS parecem desfrutar de uma expectativa de vida maior. Essas características foram observadas em macacos rhesus (
Macaca mulatta) alimentados com uma dieta contendo 30% menos calorias que o normal, mas de acordo com os autores da pesquisa os humanos nem sempre precisam comer menos para viver mais.
Embora a maioria dos animais ainda esteja viva, parece que a dieta com restrição de calorias aumentou a expectativa de vida dos macacos. De acordo com os resultados do estudo publicado ontem na revista
Science, a taxa de mortalidade verificada entre os símios submetidos à dieta foi de cerca de 15%. Entre os macacos do grupo que podia ingerir alimentos à vontade, esse índice foi de 24%.
Diversos trabalhos feitos com ratos e com outros animais já sugeriram que o consumo de uma quantidade menor de calorias corresponde a uma vida mais longa, e as três características mencionadas anteriormente vêm sendo encontradas nas espécies sob regime de restrição calórica. Apesar disso, ainda não está claro se esses fatores são importantes em macacos ou humanos, informaram pesquisadores do Instituto Nacional do Envelhecimento, um dos departamentos dos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos (NIH), localizado em Baltimore (Maryland).
No novo estudo, a equipe de George S. Roth avaliou essas qualidades em macacos rhesus e em 700 homens inscritos no Estudo Longitudinal sobre Envelhecimento, de Baltimore. Os homens foram divididos em dois grupos. Um deles reuniu as pessoas que tinham temperatura corporal mais elevada, maiores níveis de insulina e menores taxas de DHEAS. O outro grupo foi formado por voluntários com temperatura corporal baixa, baixos níveis de insulina e taxas mais elevadas de DHEAS. Os voluntários informaram que consumiam 2.300 calorias por dia e não estava necessariamente sob regime de restrição de calorias.
Os membros do primeiro grupo (com níveis menores de insulina, temperatura corporal mais baixa e níveis maiores de DHEAS) tenderam a viver mais tempo, algo semelhante ao observado entre os macacos sob dieta com restrição de calorias, que apresentaram tendência similar no que diz respeito a esses três fatores. "O fato de esses homens aparentemente não estarem sob dieta é importante pois significa que pode haver outras formas de se atingir essas características biológicas sem fazer mudanças drásticas na alimentação", declarou Roth em documento do NIH. "Embora ainda não saibamos quais são esses caminhos, os resultados desse estudo sugerem ser possível desenvolver compostos que ofereçam os benefícios da restrição calórica sem precisar recorrer às dietas", acrescentou o pesquisador.
Ainda não se sabe exatamente quais são os fatores ambientais e genéticos levam os homens a apresentar as características que simulam a restrição calórica. No entanto, parece que elas estão relacionadas à longevidade e são "um caminho que merece ser investigado", concluíram os autores do estudo.

Reuters