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Governos são irredutíveis e reféns, sacrificados

Sábado, 25 de setembro de 2004, 23h51
O norte-americano Jack Hensley foi decapitado
O norte-americano Jack Hensley foi decapitado
22 de setembro de 2004
AP


Um dos casos mais dramáticos de seqüestros de estrangeiros pode ter tido seu desfecho esta semana. Dois grupos islâmicos anunciaram a execução das duas italianas detidas desde o último dia sete. Nenhum vídeo foi divulgado. O governo italiano afirmou não ter recebido qualquer informação das mortes.

O anúncio das possíveis execuções provocou comoção na Itália, principalmente, por dois motivos: Simona Pari e Simona Torreta, ambas de 29 anos, foram as primeiras mulheres estrangeiras a ser seqüestradas no país e porque atuavam como voluntárias da ONG Uma ponte para Bagdá, voltada para crianças carentes.

Desde abril passado, quando começou a onda de seqüestros no Iraque, cerca de 30 reféns foram assassinados por seus captores. As execuções mais utilizadas pelos rebeldes são decapitação e degola. Para completar o terrorismo, os seqüestradores filmam as mortes e enviam os vídeos à imprensa ou disponibilizam em sites islâmicos. Nas filmagens, os detidos geralmente aparecem sentados em frente aos rebeldes, sempre encapuzados, que lêem a sentença de morte do estrangeiro e o executam a sangue frio, separam a cabeça do corpo e a põem sobre o corpo.

Outro seqüestro que pode ter um final brutal é o do britânico Kenneth Bigley, de 62 anos, seqüestrado na semana passada junto com os norte-americanos Eugene Armstrong e Jack Hensley, em Bagdá, pelo grupo do islamita jordaniano Al-Zarqawi. Eles exigem a libertação de prisioneiras detidas no país. Na quarta-feira, um vídeo difundido num site mostrou Bigley desesperado, pedindo clemência ao primeiro-ministro do Reino Unido, Tony Blair, que negocie com os terroristas e salve sua vida. Um dia depois, seu país descartou qualquer negociação. O Conselho dos muçulmanos da Grã-Bretanha se manifestou e afirmou que duas pessoas viajarão em breve a Bagdá para tentar libertar Bigley.

No início da semana, o mesmo grupo anunciou a decapitação dos norte-americanos em vídeo divulgado em um site islâmico. Oficiais norte-americanos encontraram os corpos e confirmaram as execuções.

Os mais recentes seqüestros foram anunciados na sexta-feira pelas autoridades iraquianas, que informaram que oito funcionários iraquianos e egípcios da empresa de telecomunicações Iraqna, sucursal da companhia egípcia Orascom, foram seqüestrados em nos últimos dias.

Esta semana, um grupo iraquiano e até agora desconhecido e estabelecido em Damasco anunciou no canal de televisão Al-Arabiya a breve libertação dos dois jornalistas franceses seqüestrados. Georges Malbrunot e Christian Chesnot foram levados no dia 20 de agosto junto com seu motorista e intérprete sírio Mohamed Al-Jundi por um grupo autodenominado Exército Islâmico no Iraque. Eles deram um prazo de 48 horas ao governo de Paris para revogar a lei sobre o véu islâmico. Líderes franceses prometeram não ceder às exigências dos seqüestradores.

O apelo foi grande, e o mundo se manifestou em favor dos jornalistas, entre eles, o Papa, o presidente francês Jacques Chirac, o radical xiit, Moqtada Al-Sadr e até o serviço secreto francês foi utilizado para uma possível libertação. O ministro das Relações Exteriores francês, Michel Barnier, foi à Jordânia, e o ministro das Comunicações, Renaud Donnedieu de Vabres, disse que a França não entendeu o motivo do seqüestro porque Paris manteve uma oposição firme à guerra liderada pelos Estados Unidos. O iminente desfecho positivo se deve ao fato de que os dois jornalistas se comprometeram a trabalhar de acordo com os princípios islâmicos.

Em agosto, o grupo islâmico Exército de Ansar Al-Sunna anunciou o seqüestro de 12 trabalhadores nepaleses por causa de sua cooperação com as forças dos Estados Unidos no Iraque. Dois dias depois, o governo do Nepal disse não ter nenhuma informação sobre a tomada. Não tardou a ser anunciada no site do grupo a degola dos reféns. Além da mensagem, o grupo publicou imagens das cabeças e dos corpos dos civis que trabalhavam para uma companhia de construção jordaniana.

Redação Terra

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Terra - Brasil
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