O anúncio das ações foi feito pela deputada Luciana Genro, Roberto Robaina (c) e Pedro Ruas |
Fabiana Leal
Direto de Porto Alegre
O Psol informou nesta segunda-feira que irá requerer à juíza Simone Fortes, titular da Justiça Federal de Santa Maria, no interior do Rio Grande do Sul, na próxima quarta-feira, o bloqueio e indisponibilidade dos bens e contas bancárias da governadora do Estado, Yeda Crusius, do seu marido, Carlos Crusius, e do ex-secretário de governo Delson Martini.
O partido alega que esta é a única forma de minimamente garantir o ressarcimento dos cofres públicos. "Para nós, isso é vital. A punição exemplar era e é necessária, mas não é suficiente", disse o vereador de Porto Alegre Pedro Ruas (Psol), que assina o requerimento à juíza juntamente com a deputada federal Luciana Genro e com o presidente estadual do partido, Roberto Robaina. "Tem de ressarcir os cofres públicos."
Segundo Ruas, que sempre defendeu a CPI contra a corrupção no Rio Grande do Sul, uma comissão de inquérito agora faria a governadora ganhar tempo, o que não seria o ideal. "O governo não está governando para os gaúchos, mas está trabalhando para ganhar tempo. A governadora contratou o advogado (Eduardo) Alckmin para processar os dirigentes do Psol, mas até agora está claro que é para se defender, pois não nos processou", afirmou, defendendo a votação em Plenário de um impeachment contra Yeda. "Agora, mais do que CPI, é preciso que o processo de impeachment corra mais rápido."
O Psol espera que agora o pedido de impeachment da governadora, feito em junho pelo partido, vá à votação do Plenário da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul. De acordo com Ruas, se o processo for admitido, Yeda terá de ser afastada.
"Há uma oportunidade no Estado. Nós sabemos de inúmeros casos de corrupção no Brasil, e o Rio Grande do Sul tem uma responsabilidade - mostrar que se pode fazer diferente nesse tema. A sociedade vai ter condições de virar esse jogo para que nem tudo termine em pizza. Sei que não é fácil acreditar em política na situação que estamos hoje. Nós queremos ver se a gente faz a diferença", afirmou Robaina.
De acordo com Luciana, "o processo de impeachment precisa ser aberto e a governadora precisa ser afastada imediatamente porque ela continua operando esses mesmos recursos de corrupção e isso está prejudicando o Rio Grande do Sul. Nós temos inúmeros problemas enfrentados pela população ¿ em educação, em saúde e na área de segurança ¿ e a governadora está ocupada em se defender e não em governar o Rio Grande do Sul".
Hoje, o jornal Zero Hora publicou reportagem na qual afirma que o empresário Lair Ferst, acusado de ser um dos líderes da fraude que desviou R$ 44 milhões do Departamento Estadual de Trânsito do Rio Grande do Sul (Detran-RS), encaminhou ao Ministério Público Federal (MPF) um documento detalhando 20 supostas irregularidades que teriam sido cometidas na campanha de 2006 e no início do governo de Yeda Crusius (PSDB).
As denúncias teriam sido encaminhadas pelo procurador Alexandre Schneider ao então procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, por meio do ofício OF/SECRIM/PRRS/Nº 2669, de 16 de abril, onde consta um texto escrito por Lair Ferst.
Ferst teria confirmado a existência de caixa 2 na campanha da governadora. O dinheiro não contabilizado seria recebido por Marcelo Cavalcante, ex-assessor morto em fevereiro, e por Walna Meneses, assessora de Yeda. O marido da governadora, segundo o relato de Ferst, era avisado da chegada de doações e buscava o dinheiro no comitê.
Gravações
Gravações divulgadas pela revista Veja em maio haviam apontado conversas entre Marcelo Cavalcante, ex-assessor da governadora, e o empresário Lair Ferst.
Cavalcante morreu em fevereiro em Brasília. Seu corpo foi encontrado no lago Paranoá e a polícia trabalha com a hipótese de suicídio. O ex-assessor era investigado como suspeito de participação no suposto esquema do Detran. O áudio indicaria o uso de caixa dois na campanha de Yeda para o governo do Estado.
Em fevereiro, representantes do Psol no Rio Grande do Sul levantaram nove suspeitas contra o governo Yeda. Os membros do partido não apresentaram provas, mas garantiram que áudios, vídeos e depoimentos, que estariam sendo analisados pelo Ministério Público Federal (MPF), apontariam que há uma "quadrilha" dentro do Palácio Piratini, que se utilizou de caixa 2 para chegar ao poder e que utiliza verbas públicas para satisfazer interesses particulares. A força-tarefa do MPF responsável pela Operação Rodin, que apurou as fraudes no Detran, no entanto, negou as informações.