A inundação que atingiu a capital amazonense gerou uma grande quantidade de lixo |
Arnoldo Santos
Direto de Manaus
A cheia do rio Negro e a falta de correnteza nos igarapés que cortam a cidade de Manaus (AM) fez com que uma grande quantidade de lixo se acumulasse nestes locais. Segundo cálculos da Secretaria Municipal de Saneamento e Limpeza (Semuslp), já foram retirados, desde o mês de janeiro, mais de 10 mil t de detritos dos cursos d'água da capital amazonense.
Os igarapés estão cheios e represados por conta do nível alto do rio Negro, o que facilita o acúmulo do lixo. Boa parte dos detritos são garrafas plásticas (tipo pet), mas é possível encontrar garrafões d'água, aparelhos de televisão, sofás, cômodas e colchões. "A gente vê muita gente jogando lixo no igarapé. É uma vergonha pra nós mesmos", diz o aposentado Carlos Maciel, que mora no bairro Raiz, cortado pelo igarapé do Frade. No local, cerca de 20 garis da prefeitura retiram o lixo da água e o mau cheiro é quase insuportável.
Os trabalhadores da prefeitura usam luvas e retiram o material usando pás e garfos agrícolas. Para reunir com mais facilidade o lixo flutuante, eles usam a ecobarreira, uma armação de arame com garrafas pet. O trabalho foi batizado de operação "pente fino" e, como vários igarapés foram cobertos mais de uma vez, a Semulsp calcula que já foram percorridos 14 mil km de extensão, entre o leito dos cursos d'água e suas margens.
Com a previsão de descida do nível do rio Negro e a chegada do período de vazante, uma quantidade maior de lixo deve aparecer. "Com a vazante nós vamos limpar os leitos dos igarapés. Porque o que estamos retirando é apenas a parte de lixo flutuante. E muita coisa não aparece porque está no fundo", explica Sidney Guedelha, subsecretário de Limpeza Pública.
Na semana passada, o rio Negro quebrou seu recorde histórico do ano de 1953, quando foi registrado o nível de 29,69 m. No entanto, o maior valor na cheia atual foi registrado na segunda-feira passada, quando o rio atingiu 29,75 m.
