Juliana Michaela
Direto de Cuiabá
A Polícia Federal cumpriu, nesta sexta-feira, 13 dos 18 mandados de prisão da Operação Pluma, que investiga a prática de grilagem de terras da União na região do Araguaia. Entre os presos estão Adaildon Evaristo de Moraes Costa, ex-comandante-geral da Polícia Militar de Mato Grosso, e o atual comandante regional em Tangará da Serra, o coronel da PM Elierson Metello de Siqueira, além de dois majores, um capitão e um subtenente. Dentre as pessoas que receberam os mandatos de prisão existem fazendeiros, engenheiro agrônomo, chefe de cartório, um agrimensor e supostos pistoleiros.
Adaildon Evaristo de Moraes Costa deixou o comando-geral em 2007 após denúncias de tortura contra sem-terras por policiais militares na região do Araguaia, no norte do Estado, próximo ao Tocantins. Os seis presos militares permanecerão sob guarda do Comando Geral da Polícia Militar que se encarrega da guarda e apresentação deles para depoimentos e audiências, de acordo com o artigo 295 do Código de Processo Penal.
As investigações da Operação Pluma ocorreram entre 2002 e 2005. O grupo atuava de três formas. Segundo a PF, grupos armados expulsavam ocupantes de terras indígenas e de áreas destinadas à reforma agrária. Depois disso, eram emitidos títulos falsos de terra com o objetivo de obter indenização do poder público pela desapropriação de terras inexistentes.
A ação da PM consistia em ameaçar pequenos proprietários para que vendessem suas terras a baixos preços. Posteriormente, essas terras eram revendidas a grandes produtores de algodão de Goiás. Foi por esse fato que a PF denominou a operação de "pluma". Segundo a polícia, os PMs ainda incentivavam invasões com a finalidade de vender segurança aos proprietários de terras.
Na terra indígena Maraiwatsede, o grupo também atuava na extração insumos vegetais. A PF estima que cerca de 60% dessas terras tenham sido desmatadas. A corporação informou que o grupo negociou várias fazendas na região do Araguaia, uma delas foi comprada por R$ 15 milhões. Empresas de Goiás são acusadas de participar do esquema.
O atual comandante-geral da PM, coronel Campos Filho, afirmou que as investigações iniciaram dentro da própria corporação e que medidas administrativas serão tomadas contra os presos. "A Polícia Militar vai requisitar na segunda-feira toda a documentação junto a Justiça Federal para abrir procedimento administrativo e tomar todas as medidas necessárias. As medidas podem ser de sanção administrativa até a expulsão".
