Fabrício Escandiuzzi
Direto de Florianópolis
A greve dos motoristas e cobradores de ônibus em Florianópolis (SC) terminou na manhã desta sexta-feira após três dias de paralisação e muito tumulto. Depois de registros de ônibus depredados, brigas e discussões entre usários, escolas fechadas e até mesmo ameaça da prefeitura assumir o serviço de transporte, o impasse foi resolvido com o aumento em dez centavos na tarifa.
Os trabalhadores aceitaram a proposta apresentada pelo prefeito de Florianópolis, Dário Berger (PMDB), de reajuste de 7% e auxílio alimentação de R$ 310. Mas o anúncio de aumento de dez centavos na tarifa irritou usuários. "Como sempre, sobrou para o lado mais fraco", disse a auxiliar de enfermagem Maria Aparecida de Paula, 49 anos. "Como nós precisamos dos ônibus, temos que pagar e ficar quietos".
Além do reajuste na tarifa, o valor pago pela prefeitura para as empresas de ônibus subiu para R$ 0,15 por passagem (o equivalente a R$ 550 mil por mês).
Ainda pela manhã, dezenas de ônibus estavam espalhados pelos terminais, pátios e até mesmo no sambódromo da capital catarinense. Muitos estavam com os pneus furados. A expectativa é de que o sistema só se normalize no final da tarde. O centro da cidade, que esteve quase deserto em alguns pontos nos últimos dias, começou a ter o movimento normal, mas muitos trabalhadores ainda preferiram ir de van ao serviço. "Não existe horário nos ônibus, não sabemos o que acontece, então não arrisquei", afirmou o manobrista Rodrigo VillasBoas, 31 anos.
Nos três dias de paralisação, cerca de 45 mil estudantes da rede pública ficaram sem aulas em quatro cidades da região metropolitana: Florianópolis, São José, Biguaçu e Palhoça. Além disso, cerca de 25 ônibus foram apedrejados nesses três dias.
O prefeito de Florianópolis chegou a anunciar uma possível intervenção no sistema. Como empresários e trabalhadores não chegaram a um acordo, ele havia tomado a decisão inédita, apoiado pelos trabalhadores, de emitir um decreto para que o município fosse o responsável pelos serviços.
A prefeitura estava intermediando as negociações, que não avançaram neste período. Como o sindicato dos proprietários das empresas concessionárias do serviço se negaram a cobrir esse valor e exigiam reajuste de R$ 0,40 na tarifa, o prefeito determinou a intervenção.
O impasse entre a categoria de trabalhadores e os empresários dura quase dois meses, período em que foram realizadas quatro paralisações, afetando cerca de 200 mil usuários de quatro municípios da região metropolitana de Florianópolis.