Notícias Brasil » Cidades

Após greve, passagem de ônibus aumenta em Florianópolis

Sexta, 3 de julho de 2009, 11h51


Fabrício Escandiuzzi

Direto de Florianópolis


A greve dos motoristas e cobradores de ônibus em Florianópolis (SC) terminou na manhã desta sexta-feira após três dias de paralisação e muito tumulto. Depois de registros de ônibus depredados, brigas e discussões entre usários, escolas fechadas e até mesmo ameaça da prefeitura assumir o serviço de transporte, o impasse foi resolvido com o aumento em dez centavos na tarifa.

Os trabalhadores aceitaram a proposta apresentada pelo prefeito de Florianópolis, Dário Berger (PMDB), de reajuste de 7% e auxílio alimentação de R$ 310. Mas o anúncio de aumento de dez centavos na tarifa irritou usuários. "Como sempre, sobrou para o lado mais fraco", disse a auxiliar de enfermagem Maria Aparecida de Paula, 49 anos. "Como nós precisamos dos ônibus, temos que pagar e ficar quietos".

Além do reajuste na tarifa, o valor pago pela prefeitura para as empresas de ônibus subiu para R$ 0,15 por passagem (o equivalente a R$ 550 mil por mês).

Ainda pela manhã, dezenas de ônibus estavam espalhados pelos terminais, pátios e até mesmo no sambódromo da capital catarinense. Muitos estavam com os pneus furados. A expectativa é de que o sistema só se normalize no final da tarde. O centro da cidade, que esteve quase deserto em alguns pontos nos últimos dias, começou a ter o movimento normal, mas muitos trabalhadores ainda preferiram ir de van ao serviço. "Não existe horário nos ônibus, não sabemos o que acontece, então não arrisquei", afirmou o manobrista Rodrigo VillasBoas, 31 anos.

Nos três dias de paralisação, cerca de 45 mil estudantes da rede pública ficaram sem aulas em quatro cidades da região metropolitana: Florianópolis, São José, Biguaçu e Palhoça. Além disso, cerca de 25 ônibus foram apedrejados nesses três dias.

O prefeito de Florianópolis chegou a anunciar uma possível intervenção no sistema. Como empresários e trabalhadores não chegaram a um acordo, ele havia tomado a decisão inédita, apoiado pelos trabalhadores, de emitir um decreto para que o município fosse o responsável pelos serviços.

A prefeitura estava intermediando as negociações, que não avançaram neste período. Como o sindicato dos proprietários das empresas concessionárias do serviço se negaram a cobrir esse valor e exigiam reajuste de R$ 0,40 na tarifa, o prefeito determinou a intervenção.

O impasse entre a categoria de trabalhadores e os empresários dura quase dois meses, período em que foram realizadas quatro paralisações, afetando cerca de 200 mil usuários de quatro municípios da região metropolitana de Florianópolis.

Especial para Terra
Leia esta notícia no original em:
Terra - Brasil
http://noticias.terra.com.br/brasil/noticias/0,,OI3856728-EI8139,00.html