Sarney (dir.) recebeu Gilmar Mendes (esq.) no Senado |
Marina Mello
Direto de Brasília
O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), recebeu nesta quinta-feira o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, conversou com ele sobre a crise vivida pela Casa e afirmou que a possibilidade de renúncia ou afastamento não está sendo cogitada.
A Casa foi afetada por uma série de denúncias nos últimos meses, que passaram por atos decretados secretamente, uso descontrolado da cota de passagens aéreas dos parlamentares, acusações contra ex-diretores que vão desde participação em fraude nos empréstimos consignados do Senado até a não declaração de imóveis milionários. Uma das mais recentes denúncias é de que José Adriano Sarney, neto do presidente do Senado, José Sarney, teria sido favorecido dentro da Casa para conseguir intermediar a concessão de empréstimos consignados a servidores.
De acordo com Gilmar Mendes, Sarney fez uma análise do que está acontecendo e avaliou tudo como uma questão política. "Não se cogitou isso (renúncia). Ele me relatou a evolução desta questão (crise) e disse o que eu tenho dito: que crise política se resolve com política", disse.
Mendes evitou fazer "juízo de valor" sobre a crise do Senado, fez apenas uma análise geral e falou da dificuldade em se resolver tais questões por meio da reforma política. "A reforma política é o concerto de um avião em pleno voo", afirmou.
Na quarta-feira, segundo senadores do PT, Sarney havia afirmado que não cogitava a possibilidade de afastamento temporário, mas admitia a possibilidade de sair definitivamente do cargo.
O líder do PT no Senado, Aloizio Mercadante (SP) confirmou, e seu microblog na internet, que a reunião do partido com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que deve definir a posição do partido sobre a crise no Senado, ocorrerá às 20h.
