Gatos egípcios mortos tinham tratamento de faraós

Quinta, 16 de setembro de 2004, 00h05


Os antigos egípcios tratavam com muito zelo da mumificação de seus animais, da mesma forma que faziam com seus reis e familiares, revelou um estudo que será publicado hoje na revista científica britânica Nature. Um número ainda não identificado de mamíferos, pássaros e répteis foram mortos e mumificados como oferendas aos deus que representavam, um culto que tomou vulto a partir de 1.400 anos a.C, sob o reinado do faraó Amenhotep III.

A deusa Bastet, por exemplo, era representada pelo gato, o deus Hórus, pelo falcão ou pelo babuíno, Thoth pela ave íbis, Sobek, por um crocodilo, e assim por diante.

Tantos animais foram preservados que muitos estudiosos presumiram que, para atender à demanda, os egípcios utilizavam um processo de mumificação relâmpago, no qual essencialmente, envolviam o corpo da criatura com bandagens de linho grosso e depois o emergiam num tanque de resina antes que morresse.

Não era assim, segundo uma equipe de químicos britânicos. Eles aplicaram a cromatografia e a espectrometria, as mais modernas ferramentas de medicina forense - para obter um rastreamento químico dos tecidos e envoltórios dos gatos, falcões e íbis mumificados entre os séculos XIX e IV a.C.. Eles descobriram que os mumificadores usavam cuidadosamente uma ampla variedade de substâncias, algumas preciosas e caras, para garantir que os restos mortais dos animais perdurassem. As substâncias compreendiam óleos, gorduras, betumes, cera de abelhas, pinho e possivelmente, resina de cedro.

"A mistura de bálsamos é de uma complexidade comparável à utilizada para mumificar humanos", concluíram os cientistas, cujo estudo foi conduzido pelo professor Richard Evershed, da Universidade de Bristol, oeste da Inglaterra.

AFP
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Terra - Brasil
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