O diretor do departamento de Combate ao Crime Organizado da Polícia Federal (PF), Roberto Troncon Filho, afirmou nesta quarta-feira que o trabalho de repressão ao tráfico de drogas no País tem como principal foco a desarticulação das grandes quadrilhas. "Não nos move como objetivo principal a apreensão das drogas. Importantes líderes colombianos foram recentemente detidos e processados criminalmente no Brasil por lavagem de dinheiro", disse.
"Queremos tornar o Brasil um território hostil para esse grupos. O foco é aniquilar o 'peixe grande'", acrescentou. A declaração foi feita durante a divulgação do Relatório Mundial sobre Drogas 2009 pelo Escritório das Nações Unidas Sobre Drogas e Crime (Unodc).
Em 2008, a PF desarticulou o primeiro laboratório clandestino de ecstasy do País, no Paraná. Neste ano, 55 integrantes de uma quadrilha internacional de drogas foram presos. O grupo levava cocaína da América do Sul para a Europa e trazia ecstasy para ser vendido no Brasil.
Troncon disse também que o País já firmou acordos de cooperação com países vizinhos, como Bolívia e Paraguai, para melhor capacitação das forças repressivas e planejamento de ações conjuntas de combate ao tráfico.
Segundo o relatório da ONU, a América do Sul é responsável por 45% do total apreensões de cocaína no mundo, e a Venezuela e o Brasil são países de trânsito importantes para o tráfico destinado à Europa.
As apreensões de cocaína no Brasil subiram de 18,5 toneladas em 2007 para 20 toneladas em 2008. Segundo a ONU, o Brasil também é o maior mercado de cocaína da América do Sul em números absolutos, estimado em 890 mil pessoas ou 0,7% da população entre 12 e 65 anos.
O aumento do consumo na América do Sul é mais um indicador, segundo a PF, que desaconselha uma eventual legalização das drogas. "Nossa experiência tem demonstrado que uma eventual liberação estimularia o consumo e não eliminaria a produção ilícita e exploração por organizações criminosas. Ajustes na política de repressão e de redução de demanda devem acontecer, mas as drogas devem permanecer ilícitas. Temos que conscientizar a sociedade e combater sem trégua os grupos criminosos", defendeu Troncon.