Parentes se desesperaram durante enterro das vítimas do massacre |
As informações divulgadas por autoridades russas sobre a formação do comando pró-checheno, o número de integrantes mortos e o de eventuais prisões são confusas e contraditórias. Até agora as autoridades tinham informado de 26 terroristas mortos, aos que se somaram outros três presos hoje e identificados como membros do comando por três suspeitos detidos pelas forças de segurança.
Segundo a agência Itar-Tass, um dos detidos é uma mulher e outro é um terrorista procurado pela Justiça russa por sua participação este ano em vários atentados com bomba em Ossétia do Norte e Inguchétia. A TV russa mostrou hoje imagens do terceiro detido, que seria ligado a um grupo separatista checheno. Ele disse que participou do seqüestro, mas que teve pena e não atirou nas crianças.
Por outro lado, forenses citados pela agência Interfax, disseram que entre os corpos identificados não se encontra o de Magomed Yevloyev, indicado desde o início como o líder dos terroristas. De origem inguche, Yevloyev é um dos mais importantes lugar-tenentes da guerrilha chechena e braço direito de Shamil Basayev, considerado pela Rússia "terrorista e inimigo público número um".
Além disso, Fridinski apontou que o comando estava integrado por "chechenos, inguches, cazaques, eslavos e árabes", o que transforma o grupo em uma "Internacional Terrorista".
Policiais também estão investigando relatos de reféns que disseram que já havia armas dentro da escola quando o local foi invadido. Adultos que estavam sendo mantidos na escola disseram que receberam ordens de levantar as tábuas do chão para que os seqüestradores pudessem pegar as armas que estavam escondidas.
Familiares enterram vítimas
O som dos lamentos das mães que perderam seus filhos e filhas no seqüestro da escola na Rússia tomou hoje as casas de Beslan, quando foram realizados os primeiros enterros dos mais de 338 mortos. Foi decretado luto oficial no país nesta segunda e terça-feira.
Algumas famílias ainda não sabem se seus parentes estão vivos, já que ainda não foi divulgada uma lista final das vítimas do seqüestro.
Médicos dos hospitais que estão atendendo os feridos colocaram na lista de pacientes fotos daqueles que são muito jovens ou estão traumatizados demais para se identificarem.
Número de mortos sobe para 338
As autoridades de Ossétia do Norte confirmaram hoje a morte no hospital de outras cinco pessoas, com o que sobe para 338 o número de vítimas mortais do massacre. O porta-voz de Ossétia do Norte, Lev Dzugayev, disse que 428 pessoas continuam internadas em hospitais locais e que 260 estão desaparecidas. Muitos casos sérios foram levados para Moscou e outras cidades.
O número de vítimas pode aumentar nas próximas horas já que 49 pessoas estão hospitalizadas com prognóstico grave nos hospitais desta região, enquanto o número total de internados em todo o país beira os 400.
Abalo em governo e renúncia
A tragédia abalou a política do presidente Vladimir Putin em relação à turbulenta região caucasiana e levantou sérias dúvidas sobre sua capacidade de acabar com o separatismo da Chechênia. O seqüestro na escola aconteceu depois de atentados contra dois aviões e da explosão de um carro-bomba perto de uma estação de metrô em Moscou.
Além disso, hoje, o ministro do Interior da região de Ossétia do Norte, Kazbek Dzantiyev, ofereceu sua renúncia, que não foi aceita. "Depois do que aconteceu em Beslan eu não tenho direito de manter este cargo, tanto como autoridade quanto como cavalheiro", disse ele.