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Será perturbador se STF anular refúgio a Battisti, diz Tarso

Terça, 12 de maio de 2009, 17h11
Tarso Genro disse que foi bombardeado quando decidiu refugiar Battisti
Tarso Genro disse que foi bombardeado quando decidiu refugiar Battisti
12 de maio de 2009
EFE


Laryssa Borges

Direto de Brasília


O ministro da Justiça, Tarso Genro, classificou nesta terça-feira como "perturbadora" a possibilidade de o Supremo Tribunal Federal (STF) aceitar a extradição do ex-ativista italiano Cesare Battisti. Tarso, que afirmou ter sido "bombardeado" por conceder o status de refugiado político a Battisti, lembrou que a concessão de refúgio em tese acarreta no arquivamento do processo de extradição que tramita contra o ex-integrante do grupo Proletários Armados pelo Comunismo (PAC).

"Seria perturbador se o STF mudasse a jurisprudência (e extraditasse o italiano) para o caso Battisti para atender a uma demanda de um país (Itália) que não respeita as decisões do Brasil. Seria muito preocupante e quero ter certeza que não vai acontecer. É uma questão emblemática", declarou Tarso ao participar de audiência pública na Câmara dos Deputados.

O caso será analisado pelo STF, que decidirá se a declaração de refugiado político acarreta necessariamente no arquivamento do pedido de extradição.

Foragido da Justiça italiana, Battisti foi condenado à prisão perpétua à revelia em seu país de origem por supostamente ter coordenado o assassinato de quatro pessoas nos anos 70.

"O Brasil tem maturidade suficientemente estabilizada para dizer que a questão de soberania está (amadurecida)", opinou o ministro da Justiça, evitando polemizar, no entanto, sobre a suposta demora no STF em analisar o caso.

"O STF, como instância máxima do Poder Judiciário, é o lugar onde o Direito se encontra com a política. Não existe nem Direito puro nem política pura. Então ambas se confundem. É natural que o Supremo dê uma esperada para observar os debates que ocorreram na sociedade e formar convicção. (O julgamento) Implica na avaliação do nível de soberania que tem o Brasil", afirmou.

Durante os debates sobre os processos de extradição e o episódio envolvendo Cesare Battisti, Tarso Genro criticou a postura do governo italiano de questionar e protestar contra a concessão de refúgio político ao ex-ativista. "A forma como Estado italiano reagiu, a forma violenta e virulenta, não gera fundado temor de dano? Por que essa especificidade em relação ao Battisti, senão colocá-lo como símbolo? Para solucionar um problema político da Itália, (o Brasil) vai entregar o cidadão?", questionou.

"Sofri um bombardeio muito grande (quando tomou a decisão do refúgio). Fui chamado de ignorante juridicamente, de usar a responsabilidade pública para proteger minhas idéias esquerdistas, de ofender o Estado italiano. Não ofendi o Estado italiano e nem o governo italiano e nem faria isso", ressaltou o ministro da Justiça.

Redação Terra

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Terra - Brasil
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