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Enquanto Talibã avança, Paquistão espera mais ajuda dos EUA

Quarta, 6 de maio de 2009, 07h58
Ativistas queimam boneco que representa os talibãs em na cidade de Jammu
Ativistas queimam boneco que representa os talibãs em na cidade de Jammu
06 de maio de 2009
Reuters


Elisabeth Bumiller

Do New York Times


O chefe do Estado-Maior Conjunto das forças armadas norte-americanas, almirante Mike Mullen, declarou na segunda-feira estar "seriamente preocupado" com os avanços do Talibã no Afeganistão e no Paquistão, enquanto o presidente Barack Obama se prepara para receber o presidente paquistanês Asif Ali Zardari, esta semana em Washington, em meio a uma atmosfera de crise na região.

Os ganhos recentes do Talibã no Paquistão alarmaram a Casa Branca a ponto de levar o general James Jones, assessor de segurança nacional do presidente Obama, a descrever a situação como "um dos mais sérios problemas que temos a enfrentar". O Paquistão, ele declarou na segunda-feira, "precisa sobreviver como nação democrática".

Havia novos sinais de inquietação no Congresso quanto ao envolvimento norte-americano na região. O presidente do Comitê Orçamentário da Câmara disse "duvidar muito" que o plano de Obama para o Paquistão e Afeganistão possa ter sucesso. O presidente, deputado David Obey,k democrata de Wisconsin, afirmou que ofereceria à Casa Branca apenas um ano para mostrar resultados, e comparou repetidamente a abordagem proposta por Obama aos planos do presidente Richard Nixon quanto ao Vietnã em 1969.

Obama está sob pressão não só para atenuar as ocasionais hostilidades entre Paquistão e Afeganistão mas também para demonstrar algum progresso contra os extremistas do Talibã e da Al-Qaeda que usam o Paquistão como área de base para ataques contra as forças norte-americanas no Afeganistão. A reunião desta semana em Washington também contará com a presença do presidente afegão Hamid Karzai.

Funcionários do governo dos Estados Unidos dizem que os avanços dos militantes do Talibã no Paquistão ameaçam a existência do governo de Zardari e também representam risco para os interesses dos Estados Unidos na região e para a segurança interna do país. Funcionários do governo, que dedicaram parte da segunda-feira a uma reunião do Conselho de Segurança Nacional, tentaram moderar o tom aguçado das críticas recentes a Zardari, enquanto concluíam os preparativos para a reunião, na quarta-feira.

"A semana requer que sejamos positivos e não mexamos em vespeiro", disse um funcionário do Departamento da Defesa que participou do planejamento da reunião. "Há muita desconfiança entre nós e os paquistaneses", afirmou, pedindo que seu nome não fosse mencionado por não ter autorizado a discutir deliberações internas. Zardari chegará a Washington tendo na cabeça de sua agenda a necessidade de convencer Obama a liberar centenas de milhões de dólares em assistência civil e militar ao seu país.

Funcionários do governo paquistanês afirmam que a Casa Branca pouco fez para utilizar as verbas de assistência norte-americanas a fim de sustentar a base de apoio de Zardari, e que Washington demonstrava muito mais apoio ao Paquistão quando o país estava sob o governo do ditador militar Pervez Mosharraf do que agora que um governo civil assumiu o poder em Islamabad.

Entre 2001 e 2008, o governo Bush enviou mais de US$ 10 bilhões em assistência econômica e militar ao Paquistão. De acordo com um importante funcionário do governo Paquistanês que pediu que seu não fosse revelado porque não está autorizado a estratégia de seu país antes da reunião, o fluxo de fundos praticamente estancou depois da metade do ano passado.

Islamabad continua esperando que Washington reembolse o país pelos US$ 1,5 bilhão em despesas de operações militares contra o extremistas, afirma. Obama expressou apoio a um pacote de assistência de US$ 7,5 bilhões em prazo de cinco anos, mas enfrenta forte oposição de Obey e outros políticos que desejam impor condições severas para assistência a Islamabad.

Obey, cujo comitê supervisiona todos os gastos federais não definidos por programas de benefícios permanentes, afirmou na segunda-feira que, em um projeto de lei de verbas adicionais para despesas de guerra, os democratas da Câmara planejam solicitar que a Casa Branca informe ao Congresso no ano que vem sobre o progresso das operações no Afeganistão e Iraque, quanto a cinco áreas específicas: consenso político, corrupção no governo, esforços de combate a insurgência, cooperação de inteligência e segurança de fronteiras.

E ele deu a entender claramente que as verbas poderiam ser cortadas caso o progresso obtido não seja claro. "Não vou julgar esses padrões como se fosse presidente do clube dos otimistas perpétuos", disse Obey. Ainda que o governo norte-americano tenha recentemente feito contato com Nawaz Sharif, o principal rival de Zardari, funcionários dizem que as autoridades não desistiram de Zardari.

"Não estamos nos distanciando dele", disse Richard Holbrooke, o enviado especial do governo ao Afeganistão e Paquistão, em entrevista telefônica. "Se estivéssemos, por que o presidente Obama o convidaria a visitar Washington esta semana?" Holbrooke reconheceu que ele e outros funcionários do governo haviam conversar com Sharif, mas apenas porque ele é o principal líder oposicionista.

"É claro que mantemos um relacionamento estreito com Nawaz Sharif e seu irmão", disse Holbrooke, em referência a Shahbaz Sharif, o poderoso ministro chefe da província do Punjab. De sua parte, funcionários paquistaneses afirmam que, durante a visita, descreverão Sharif como uma criatura do governo da Arábia Saudita, com quem os norte-americanos teriam dificuldade em trabalhar. "Os norte-americanos não tem qualquer influência sobre Sharif; só os sauditas o influenciam", disse o representante paquistanês.

Tradução: Amy Traduções

The New York Times

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Terra - Brasil
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