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Iowa permite união gay e atrai casais de outros Estados

Sexta, 1 de abril de 2009, 09h59
Sandra Quant segura sua neta, Shelbie, 3 anos, enquanto aguarda ao lado da filha (dir.) a certidão que oficializa seu casamento com Rebecca Bird ...
Sandra Quant segura sua neta, Shelbie, 3 anos, enquanto aguarda ao lado da filha (dir.) a certidão que oficializa seu casamento com Rebecca Bird (esq.). As duas vivem juntas na cidade de Davenport, em Iowa
30 de abril de 2009
The New York Times


Monica Davey

Do New York Times


As coisas pareciam inesperadamente corriqueiras em Des Moines, na segunda-feira, quando entrou em vigor a lei que permite casamentos homossexuais no Estado. Os grandes e ferozes protestos antevistos por alguns jamais se materializaram nesta cidade, a mais populosa do Iowa. E tampouco surgiram multidões de casais vindos de outros Estados do país, que alguns temiam viessem a causar uma atmosfera carnavalesca como a vista em outros Estados que passaram pela mesma experiência.

Por volta do meio-dia, não havia manifestações diante do cartório nupcial da cidade. Os policiais adicionais destacados para manter a ordem circulavam em torno do cartório do condado de Polk com cara de tédio. E a fila de dezenas de casais homossexuais que se havia formado de manhã para a requisição de licenças de casamento havia se reduzido a apenas algumas pessoas, que discutiam as chuvas recentes.

Dadas as pesquisas segundo as quais a maior parte dos cidadãos do Iowa objeta ao casamento homossexual, Shawn Regenold e Steve Kearney, de West Des Moines, temiam que a cena fosse tumultuada, talvez brutal. Por isso, decidiram não levar seus filhos - 2, 3 e 4 anos - ao cartório para o pedido de licença. Mas o que encontraram foi um edifício silencioso no qual os casais que recebiam licenças eram saudados por aplausos e, nos degraus da entrada, um pastor local estava realizando algumas cerimônias de casamento, diante das câmeras de televisão.

"As pessoas em Iowa tendem a esquentar a cabeça com as coisas", disse Maggie Grace, vizinha do casal de West Iowa e que os acompanhou para servir como testemunha no pedido de licença. "Mas depois elas vão cuidar de suas vidas". Os funcionários em alguns dos demais 98 condados do Estado descreveram cenas semelhantemente discretas, no dia em que o Iowa se tornou a mais recente unidade da federação, e a primeira do centro-oeste, a permitir o casamento homossexual. A Corte Suprema do Iowa decidiu por unanimidade este mês que uma lei adotada uma década atrás para proibir o casamento homossexual representava violação da constituição estadual.

Em Davenport, rumores sobre um protesto matinal surgiram e se foram, sem resultado. Em Iowa City, um oponente do casamento homossexual entregou uma petição assinada por oito pessoas, instando o cartório local a negar as licenças. Petições semelhantes, algumas das quais com número muito maior de assinaturas, foram entregues em diversos locais do Estado, embora o secretário da Justiça do Iowa tenha afirmado que os cartórios são obrigados a obedecer a ordem judicial e a fornecer as licenças de casamento.

Os protestos foram mais pronunciados em algumas das áreas rurais. Cerca de 50 pessoas estavam reunidas diante do tribunal do condado de Wayne, instando a titular do cartório lá instalado, Angela Horton, a não permitir os casamentos. "Falando por mim mesma, em termos pessoais, fiquei em posição difícil", disse Horton. "Mas vou cumprir a lei". Ela acrescentou que até a metade da tarde nenhum casal homossexual havia solicitado licença de casamento em seu cartório.

Chuck Hurley, líder do Iowa Family Policy Center, que se opõe ao casamento homossexual, disse que ele e outros cidadãos estavam inconformados por o Legislativo estadual ter encerrado sua sessão anual no domingo sem que houvesse chegado a acordo sobre o início do processo para emendar a constituição estadual de forma a proibir os casamentos homossexuais. Hurley, que entregou ao cartório de Des Moines uma petição contendo milhares de assinaturas, na manhã de segunda-feira, disse que não havia um número maior de manifestantes porque as pessoas estavam "ocupadas trabalhando e criando seus filhos".

"As pessoas com quem me associo são cidadãos ordeiros", disse. "Ninguém vai se algemar à porta de um cartório". Iowa veio se somar a Connecticut e Massachusetts, os dois outros Estados americanos que permitem casamentos homossexuais. Vermont aderirá ao grupo em setembro. A Califórnia também permitiu casamentos homossexuais por cerca de seis meses, até que os eleitores do Estado rejeitaram a idéia em um referendo em novembro.

A decisão da Corte Suprema de Iowa, datada de 3 de abril, surpreendeu muitos observadores e suscitou uma nova onda de questões técnicas, filosóficas e judiciais, que funcionários públicos e outros interessados vêm correndo para responder nas três últimas semanas. Pelo final da segunda-feira, mais de 200 casais haviam solicitado licenças, ao custo de US$ 35 (não havia um total estadual oficial). Alguns casais vieram de Estados vizinhos como Illinois e Nebraska, informaram as autoridades locais. O Estado requer uma espera de três dias para que o casamento seja realizado, ainda que alguns casais tenham conseguido dispensas junto a juízes e se casado na tarde da segunda-feira.

Melisa Keeton, 31 anos, e Shelley Wolfe Keeton, 38 anos, celebraram quando o escrivão as parabenizou e lhes entregou a licença, em Des Moines. As duas deixaram o carro estacionado a alguma distância do cartório, disseram, por precaução contra possíveis manifestantes ou "confusão". "Quem imaginaria que isso seria desnecessário?", disse Wolfe Keeton.

Tradução: Paulo Migliacci ME

The New York Times
Leia esta notícia no original em:
Terra - Brasil
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