A Segunda Divisão Armada, que liderou a entrada das tropas francesas e aliadas na cidade no momento em que os alemães ainda fugiam, teve lugar de honra em meio às bandeiras, à multidão e à música militar. O presidente francês, Jacques Chirac, condecorou três veteranos da divisão.
Ainda nesta quarta-feira, duas colunas de militares devem refazer o caminho, pelo centro de Paris, que as tropas francesas e norte-americanas realizaram para tomar o controle da cidade, parando nas ruas e nas praças que ficaram famosas devido aos combates daquele dia.
As festividades, no entanto, serão realizadas sob a sombra do incêndio provocado em um centro judaico no domingo. O incidente levou o prefeito da cidade, Bertrand Delanoe, a questionar se os parisienses de hoje têm a mesma coragem mostrada pelos mais velhos, que se levantaram contra a ideologia nazista.
O ministro das Relações Exteriores de Israel, Silvan Shalom, que visitou o local incendiado na quarta-feira, também relembrou que a Segunda Guerra Mundial foi uma luta contra o ódio.
"Não pode ser que 60 anos após a liberação de Paris, os judeus tenham que viver ameaçados aqui ou em qualquer outro país do mundo", disse ele, acrescentando que a França está fazendo de tudo para lutar contra uma onda crescente de anti-semitismo.
Depois de cerimônias no quartel-general da polícia e na sede do governo municipal, dois pontos-chave na reconquista da cidade, as festividades devem continuar com uma festa gigante na Praça da Bastilha, com muito swing e bailarinos no melhor estilo anos 1940.
Paris tomou o cuidado de prestar uma ampla homenagem aos soldados norte-americanos que trouxeram liberdade, chocolate e a música bepop à cidade e às centenas de republicanos espanhóis que lutaram pela liberação.
"Não queremos esquecer ninguém", disse Delanoe, na terça-feira à noite, quando descobria uma placa homenageando os veteranos espanhóis.
Em seu famoso discurso na sede do governo municipal, há 60 anos, o general Charles de Gaulle declarou que Paris estava livre com a ajuda dos militares franceses e da população.
Ele não mencionou o importante auxílio dos seus rivais comunistas nem das tropas aliadas que abriram caminho em direção à cidade depois de invadir a França no Dia D, em 6 de junho de 1944.
Reuters