Conforme a polícia, ela negociava cocaína e crack com presos da facção nos presídios de Itirapina, Mirandópolis, no Interior, e na Penitenciária do Estado, no Carandiru, na zona norte da capital paulista através do celular.
Ela foi presa nesta madrugada, quando fugia para a casa da mãe, na rua Inácio Jacometti, Conjunto José Bonifácio, Itaquera, zona leste. Com ela também foi detida a sul-africana Brittania Bukelma Uzoaru, de 47 anos, elo internacional do esquema de tráfico de drogas. Brittania, por falar inglês e ser bem relacionada na comunidade, era a ligação com traficantes nigerianos no fornecimento de cocaína para ser enviada à Europa.
As duas foram as últimas a serem presas. Antes, foi detido o presidiário Claudiomiro de Souza Marques, de 43 anos, que cumpre pena de 13 anos em regime semi-aberto, no Presídio de Franco da Rocha, Grande São Paulo. Com emprego de fachada em uma transportadora, ele saia da cadeia para buscar as drogas negociadas pelo PCC e entregá-las à Rainha, sua sócia no esquema. Claudiomiro também é batizado pela facção criminosa.
Na organização da quadrilha, o crack negociado pelos presos do PCC abastecia o adolescente M.B.F., de 17 anos, acusado em seis homicídios, fugitivo da Febem e conhecido na região da cracolândia como "Di Menor". O rapaz disse ter arrendado o Hotel Duque, na avenida Duque de Caxias, região Central, por R$ 4 mil. Ele utilizava o hotel como escritório do tráfico e como local de venda de crack. Além disso, alugava quartos para usuários da droga por R$ 5,00.
"Di Menor" disse ter assassinado a primeira pessoa aos 12 anos. Ele afirmou não ter sentido nada e que era uma questão de sobrevivência. "Era ele ou eu." A especialidade do adolescente é matar informantes da Polícia, conhecidos no meio policial como "gansos". Ele tinha na casa da mãe, na rua Doutor Aureliano Duarte, Jardim Peri, 24 pedras de crack guardadas em uma caixa do remédio Dipirona. A mulher dele, Paula Soares da Silva, de 20 anos, tinha outras três pedras da droga em sua bolsa. Os dois foram detidos no local, na tarde de quarta-feira.
Os policiais da equipe do delegado Emílio Françolin, titular do Nape (Núcleo de Apoio e Proteção às Escolas), descobriram outro endereço com o menor a partir de um recibo de aluguel de um imóvel da rua Antônio Dias da Silva, Vila Amália, zona norte. Na casa, o investigador-chefe Antônio Curci encontrou mais porções de crack, balança elétrica, pistola calibre 45 e munição para armas calibres .40, 9 mm e 45. O lugar era usado para armazenar e preparar as drogas.
O delegado Pedro Pórrio, da 2ª Delegacia do Nape, apreendeu ainda R$ 14 mil em notas falsas de R$ 50,00 e prendeu o desempregado Edson Martins, de 20 anos, morador no Paraguai, hospedado no Hotel Água Branca, na avenida Francisco Matarazzo, Água Branca. Ele era o contato com um falsário identificado como Paraguaizinho, fornecedor de cédulas falsas para a quadrilha. O dinheiro era usado para pagamento de drogas, na proporção de 3x1 do valor.
O diretor do Denarc, Ivaney Cayres de Souza, afirmou que as investigações terão continuidade com o indiciamento dos demais envolvidos. "Já temos pelo menos 20 nomes de traficantes do PCC, que comandam o tráfico nos presídios", afirmou. "Essa é uma investigação que mostra a inteligência do Denarc, acompanhando pacientemente as ações da quadrilha, até descobrir todo o esquema montado por esses acusados", disse Ivaney.