Isso significa que, em 1971, quase a metade dos 1,1 milhão de estudantes do ensino médio estudavam em escolas privadas. Em 2003, esse percentual caiu para 12% dos mais de nove milhões de matrículas. O estudo foi feito com base nos dados do Censo Escolar, realizado pelo Inep.
O presidente do Inep, Eliezer Pacheco, explicou que essa redução na participação da rede privada no total de alunos matriculados no ensino médio foi provocada pela expansão da rede pública e não por uma diminuição na procura por escolas particulares.
A rede de ensino privada, que passou por uma grande expansão, na década de 70, começou a ter a liderança de matrículas superadas pela rede pública, a partir de 1980, de acordo com o balanço. Nesse ano, o número de alunos em escolas públicas passou de 1,5 milhão para 7,9 milhões.
"Essa expansão da rede pública, além de ser positiva em si - pela ampliação das vagas destinadas à população", é positiva também no sentido de qualificar a rede privada, obrigando essa rede também a melhorar a sua qualidade sob pena de perder os seus alunos?, afirmou Eliezer Pacheco.
A rede pública, hoje, responde por quase 80% das vagas do ensino médio. Segundo Pacheco, a pequena redução que houve, nas últimas décadas, em alunos da rede privada foi provocada pelo fechamento de escolas destinadas, principalmente, à população de baixa renda. "Aquelas escolas privadas que não apresentavam um diferencial muito acentuado de qualidade perderam seus alunos porque essas famílias preferiram migrar para as escolas públicas", explicou o presidente do Inep.
O vice-presidente da Federação Nacional das Escolas Particulares (Fenep), Benjamim Ribeiro, disse que a qualidade de ensino da rede privada ainda é superior a das escolas públicas. Segundo ele, esse é o principal fator de atração de novos alunos para o sistema pago. "Nós temos uma pesquisa que revela que só não está na escola particular quem não pode pagar", afirmou.
Ribeiro acrescentou que as políticas para universalização do ensino médio devem contribuir para uma redução no preço das mensalidades, ao aumentar o número de matrículas. "Estamos tentando melhorar as escolas para diminuir os custos", disse.
Oferta no ensino médio
Eliezer Pacheco avalia que o país ainda vai ter uma expansão significativa na oferta de vagas no nível médio. Isso porque apenas 33% dos jovens em idade para estar no ensino médio estão nesse nível de escolaridade. Segundo dados do Inep, atualmente a maior parte dos jovens está atrasada no fluxo escolar (50%) ou fora da escola (17%).
