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Quero Heloísa como a grande fiscal de Maceió, diz prefeito

Quarta, 14 de janeiro de 2009, 19h21

Bruno Soriano
Direto de Maceió


José Cícero Soares de Almeida (PP), 49 anos, foi o prefeito de capital do Brasil eleito com maior percentual de votos válidos, 81,49%. Natural de Maribondo, interior de Alagoas, Almeida assumiu seu segundo mandato consecutivo à frente da administração municipal.

Não foi na política, porém, que se tornou inicialmente conhecido da população. Operador de áudio e apresentador em diversas rádios, tornou-se popular como repórter policial na TV Alagoas.

Antes disso, foi ajudante de pedreiro, cobrador de ônibus e taxista. Exerceu seu primeiro mandato eletivo em 2000, sendo o terceiro vereador mais votado de Maceió. Dois anos depois, foi eleito deputado estadual com quase 28 mil votos, mas não concluiu o mandato, para se candidatar à prefeitura em 2004.

Criticado durante a campanha por falhas na prestação de contas da Secretaria Municipal de Assistência Social, que levou ao bloqueio do repasse de verbas federais para programas de assistência social, Almeida garante que a situação foi resolvida. "Conseguimos reabilitá-la (a secretaria) neste final de ano, pondo fim a um processo político que buscava nos prejudicar", afirmou.

Da vereadora Heloísa Helena (Psol), o prefeito diz que espera fiscalização, não oposição ferrenha. "Faço questão que ela seja a maior fiscalizadora das ações na Câmara de Vereadores e na Prefeitura de Maceió." Confira abaixo a íntegra da entrevista ao Terra.

Qual a avaliação que o senhor faz de seu primeiro mandato?
Cobro muito de mim, mas não gosto de me auto-analisar. Quero que a sociedade continue a avaliar o que estamos fazendo por esta cidade. Mas acredito que avançamos muito. As obras de requalificação do Centro, de reurbanização da orla marítima, os viadutos e contornos de quadra que desafogaram o trânsito, além das inúmeras ruas que estamos fazendo na periferia da cidade, provam o que digo.

Quais suas metas para o mandato que se inicia?
Meu objetivo principal é investir na periferia, em saúde e educação. É retribuir o carinho de mais de 300 mil maceioenses que acreditaram e acreditam em mim. Posso citar como exemplo a compra, pelo município, de escolas privadas, além de R$ 15 milhões, fruto de emenda parlamentar, a serem destinados a construção de 20 postos de saúde. Ao todo, já conseguimos R$ 150 milhões para 2009, além de R$ 103 milhões para a implantação do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) e outros R$ 25 milhões à conclusão do projeto de revitalização do Centro.

E o que ainda precisa ser feito?
É verdade que temos obras a concluir. Uma delas é o Eixo-viário Vale do Reginaldo, uma obra (orçada em R$ 120 milhões) que também conta com recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e que, apesar do atraso oriundo da lentidão do Governo do Estado em desapropriar as casas, vai levar desenvolvimento àquela comunidade carente. É bom lembrar também a fusão de algumas secretarias prevista para este início de ano, a fim de aperfeiçoarmos nossos serviços, além da política de contenção de despesas já implantada como medida preventiva à crise financeira internacional.

O senhor foi alvo de severas críticas, durante a campanha de 2008, devido ao descredenciamento da Secretaria Municipal de Assistência Social, que deixou de receber recursos federais por falta de prestação de contas. A questão social pode ser considerada o calcanhar de Aquiles de sua administração?
De forma nenhuma. A Secretaria não parou quando deixou de receber os recursos. Conseguimos reabilitá-la neste final de ano, pondo fim a um processo político que buscava nos prejudicar, já que ela esteve desabilitada por mais de cinco anos e nunca se deu tanta visibilidade ao assunto como agora. Estamos ampliando os Centros de Referência e Assistência Social (Cras) e não vamos parar por aqui. Estamos vivendo um momento diferente em Maceió, onde não mais se vê politicagem em secretarias de governo. Talvez por isso eu tenha sido tão perseguido.

Muitos dizem que a vereadora eleita Heloísa Helena (Psol) será a pedra no sapato do senhor. O senhor teme uma oposição ferrenha?
Sinceramente, não. Pelo contrário, desejo-lhe sorte e, inclusive, faço questão que ela seja a maior fiscalizadora das ações na Câmara de Vereadores e na Prefeitura de Maceió. Vamos continuar trabalhando em prol da sociedade, mesmo diante de qualquer desavença no âmbito legislativo. Não tenho ambição pelo poder e quero que me fiscalizem sempre.

O senhor, por vezes, não deixa de ressaltar o apoio que lhe é dispensado pelo usineiro João Lyra, cuja filha (Lourdinha Lyra, do PR) é sua vice-prefeita? E como anda a relação com o senador Fernando Collor, pois, muito já se fala de sua possível candidatura a governador de Alagoas em 2010?
Quero continuar trabalhando em prol de minha terra, que é Maceió. Só saberei se serei candidato em março de 2010. O grande problema é que alguns caciques de nossa política ainda se sentem incomodados com uma pessoa do povo no poder. Se, em 2010, esta for a vontade do povo, eu poderei me candidatar. Mas, hoje, quero cumprir meu dever nestes próximos quatro anos. E, respondendo a sua pergunta, conversei com o senador, nos últimos 10 anos, em apenas duas oportunidades, nas quais não tratamos deste assunto.

Especial para Terra
Leia esta notícia no original em:
Terra - Brasil
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