Beto Richa recebeu 77% dos votos válidos já no primeiro turno das eleições municipais |
Roger Pereira
Direto de Curitiba
O tucano Carlos Alberto Richa, o Beto Richa, abre seu segundo mandato à frente da Prefeitura de Curitiba referendado por 77% dos votos válidos já no primeiro turno das eleições municipais. Filho do ex-governador José Richa (falecido em 2003), Beto, 43 anos, faz parte de uma nova geração de políticos e é visto como "menina dos olhos" do PSDB paranaense, sendo inclusive já cotado para disputar o governo do Estado em 2010.
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Richa, que já foi vice-prefeito da capital paranaense, vereador e deputado estadual, concluiu seu primeiro mandato com uma aprovação recorde de 86%, segundo o Vox Populi.
Campeão paranaense de kart em 1984, Beto Richa tem o esporte, as motos e os carros como suas paixões. Já como prefeito de Curitiba, venceu as 500 milhas de Londrina, em 2005. À noite, o prefeito costuma sair sozinho para visitar as obras da cidade sobre sua Harley Davidson.
Governabilidade não será um problema nesta gestão. Dos 38 vereadores eleitos, 13 são do partido do prefeito e 15, de legendas que apoiaram sua candidatura. O desafio pode ser acomodar os dez partidos integrantes da aliança que ajudou o prefeito a se reeleger no primeiro turno com 77,2% dos votos válidos: PDT, PPS, PSB, DEM, PSL, PTN, PP, PR, PRP e PSDC.
Richa evita a especular sobre as eleições estaduais de 2010, mas seu desempenho nas urnas, com 770 mil votos, equivalente a 10% do eleitorado paranaense, levou tucanos a cogitarem o nome do prefeito para o governo, o que causou descontentamento entre os membros da aliança que o elegeu, formada com o objetivo de ser mantida para a eleição estadual em 2010, com o senador Osmar Dias (PDT) apontado como o candidato. Confira abaixo a íntegra da entrevista do prefeito ao Terra.
Que características de sua administração foram importantes para conduzi-lo à reeleição já no primeiro turno e com tamanha vantagem?
Eu acredito que a abertura do diálogo com a população foi fundamental para a alta aprovação da gestão. Fizemos 243 audiências públicas nos bairros, nas quais a população pôde criticar e fazer pedidos. Muitas obras pequenas nos bairros aconteceram atendendo a esses pedidos.
O que muda no segundo mandato? Quais as prioridades? Algum projeto do primeiro mandato acabou ficando para os próximos quatro anos?
A aprovação à primeira gestão sinaliza que estamos no caminho correto. Manteremos as prioridades em educação e saúde, setores em que investimos muito, mas que precisam de atenção constante. Vamos zerar a fila nas creches. Fizemos a maior abertura de vagas da história da cidade, com mais de 9 mil vagas, e ainda temos uma fila de 10 mil crianças. Vamos zerar esta fila. Vamos criar unidades específicas de saúde, como os hospitais do Idoso, da Mulher, e o Centro do Homem. O único grande projeto do primeiro mandato que finalizaremos em março é a primeira fase da Linha Verde (sexto corredor de transporte urbano da cidade), com a entrada em circulação dos ônibus.
Curitiba sempre foi vista como vanguarda das soluções em transporte, mas hoje tem problemas de trânsito que já a aproximam da situação de grandes metrópoles. Como soluciona-los?
A frota de automóveis cresceu muito em Curitiba, que hoje tem a maior proporção de carros por habitantes do País. A população da cidade também vem aumentando, e já chega a 3 milhões contando com a região metropolitana. Ou seja, Curitiba hoje é uma metrópole, então é natural que passe a enfrentar problemas de trânsito e transporte, ainda que tenha o melhor transporte coletivo do Brasil. Estamos trabalhando muito para resolver estes problemas e incentivar o uso do transporte coletivo. Estamos finalizando a Linha Verde, novo corredor de transporte da cidade, com canaletas exclusivas para ônibus, ciclovia e oito faixas de tráfego de automóveis.
Outra referência de Curitiba é quanto ao meio ambiente. Mas a já considerada capital ecológica está a beira de um colapso do lixo, com o esgotamento do aterro sanitário da Caximba. Quais são os rumos da gestão ambiental de Curitiba?
No geral, Curitiba continua sendo uma cidade com projetos exemplares em relação ao meio ambiente. Lançamos neste ano o Biocidade, programa de Biodiversidade Urbana; criamos dois novos parques; a Linha Verde está dentro de um conceito ecológico, com ciclovia e parque linear; continuamos sendo a cidade que mais recicla lixo. Quanto ao aterro, temos uma solução inovadora, com uma licitação já aberta. Não será um novo aterro. Será uma indústria em que a matéria-prima é o lixo. Essa indústria vai reciclar, transformar em adubo e em material energético as cerca de 2,4 mil toneladas de lixo gerado diariamente pela população de Curitiba e de outros 15 municípios que hoje vão para o aterro da Caximba. Apenas uma parcela de 15% de rejeitos já processados é que poderá ser tratada em aterro sanitário.
Os mais de 700 mil votos que o senhor recebeu já o colocam com mais de 10% numa eventual disputa para o governo do Estado e, com isso, seu nome já é apontado por muitos de seus aliados. É natural essa indicação? O senhor pensa nesta possibilidade?
Obviamente não posso negar que seja natural a especulação de meu nome, já que o resultado da eleição foi mesmo muito positivo. Mas também é natural que haja o nome do senador Osmar Dias (PDT), que está em nossa aliança, pois ele também fez uma grande campanha em 2006. Digo isto para mostrar que as especulações mudam a cada ano. Eu prefiro não especular e nem antecipar o debate. Estou focado em fazer uma grande gestão na Prefeitura de Curitiba, retribuindo à confiança da população.
O senhor faz parte de uma nova geração de políticos que trouxeram a formação de casa, pela influência de familiares que exerceram cargos importantes. O que essa geração que conta ainda com Gustavo Fruet e Aécio Neves, entre outros, pode oferecer ao Brasil?
Você citou três nomes que descendem de José Richa, de Tancredo Neves e de Mauricio Fruet, três políticos de grande importância, muito éticos, que lutaram pela democracia em nosso País. Então esta é a grande contribuição que estes novos nomes podem trazer, o de terem sido formados com políticos que fizeram história e deixaram grandes exemplos. São novos políticos, com novas idéias, mas que trazem do berço as convicções éticas e democráticas da boa política.
Na história recente do Brasil, muitos administradores que fizeram um bom primeiro mandato e foram reeleitos acabaram se perdendo nos quatro anos seguintes. O senhor teme a síndrome do segundo mandato?
Não. Aprendi com meu pai a fazer política com tranqüilidade, sem antecipar as coisas. Assim como não antecipo o debate sobre 2010, também não fico prevendo cenários para o segundo mandato. Prefiro me concentrar no presente, com a formação de uma boa equipe, com uma gestão transparente e austera, e com um planejamento capaz de cumprir todos os compromissos que assumimos com a população.