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Único temor é a crise econômica, diz Iris Rezende

Quarta, 7 de janeiro de 2009, 22h52
Iris Rezende (PMDB), 75 anos, assume seu terceiro mandato no Paço Municipal
Iris Rezende (PMDB), 75 anos, assume seu terceiro mandato no Paço Municipal
07 de janeiro de 2009
Divulgação

Márcio Leijoto
Direto de Goiânia


Reeleito em outubro do ano passado com 74,16% dos votos válidos, o prefeito de Goiânia, Iris Rezende (PMDB), 75 anos, assume seu terceiro mandato no Paço Municipal sem esconder a intenção de sair candidato ao governo estadual em 2010. Mas antes ele tem alguns desafios políticos e administrativos: diz que pretende diversificar e modernizar a máquina pública e intensificar parcerias com o governador Alcides Rodrigues (PP) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

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O primeiro desafio é acomodar representantes dos 12 partidos que o apoiaram. A aliança com os petistas - que indicaram o médico Paulo Garcia como vice-prefeito para compor a chapa vencedora com Iris - é vista como estratégica para as pretensões políticas do PMDB nos próximos dois anos.

Antes de se formalizar o apoio ao peemedebista, houve muita discussão no PT. Nem mesmo a nomeação, no último dia 2, de quatro petistas para o secretariado poupou o prefeito de críticas dos aliados, que esperavam cargos mais expressivos. A Secretaria de Planejamento é o cargo de maior visibilidade da cota do PT.

Outro desafio vai ser manter e fortalecer a parceria do município com o Estado. O governador é de um grupo que faz forte oposição ao PMDB em Goiânia e no Estado. Mesmo assim, o prefeito prega um discurso de paz. "O nosso relacionamento com o governo estadual é o mais harmonioso possível", disse, em entrevista ao Terra. O governador também diz que é preciso separar administração e política, mas há impasses evidentes, como na área de saúde.

Na parte administrativa, o prefeito anunciou um enxugamento da máquina pública, reduzindo de 45 para 27 o número de secretárias e órgãos municipais, e o cancelamento de boa parte dos serviços terceirizados. "A crise econômica mundial está entre os principais motivos que estimularam o enxugamento da máquina via reforma administrativa, aprovada pela Câmara Municipal." Veja abaixo a íntegra da entrevista do prefeito ao Terra:

O que muda da forma de administrar a cidade na primeira gestão, no período 2005-008, e agora, de 2009-2012? Quais são os principais desafios da prefeitura neste próximo quadriênio?
A velocidade será a mesma dos últimos quatro anos: 200 km/h. Depois de pavimentar 1,6 mil km de ruas de terra (136 bairros), implantar 16 novos parques ambientais, urbanizar 305 praças e consolidar 13 escolas em tempo integral, a prefeitura vai ampliar os investimentos em habitação, saúde, educação e prestação de serviços. O objetivo é consolidar Goiânia como referência nacional em qualidade de vida.

Assim que foi oficializada sua vitória nas eleições do ano passado, o senhor apresentou um projeto para enxugar os gastos da prefeitura e mudanças na estrutura da administração. Onde ocorrerão mais enxugamentos? Quais serão as áreas mais afetadas pelos cortes?
Reduzimos de 45 para 27 o número de órgãos municipais. A estrutura administrativa necessitava de um enxugamento radical, principalmente nos cargos relacionados ao gabinete do prefeito. Foram extintas todas as secretarias especiais e extraordinárias, restando apenas três assessorias. Com os cortes, a economia deverá ser de R$ 1,3 milhão por mês.

Como vai ser a relação da prefeitura com o governo estadual, visto que o governador é de um partido, o PP, que integra um grupo que faz oposição ao partido do senhor, o PMDB, e ambos os grupos devem ter candidatos majoritários para as eleições de 2010?
O nosso relacionamento com o governo estadual é o mais harmonioso possível. Não há interferências, politiquices ou ações coordenadas para provocar dor de cabeça no chefe do Executivo. Existe, sim, uma parceria administrativa que vem sendo ampliada em Goiânia, com destaque para regularização fundiária. Politicamente falando, só mesmo o tempo e o amadurecimento das lideranças partidárias poderão sinalizar qualquer aliança futura.

O senhor disse na posse que pretende intensificar parcerias com o governador e com o presidente. Como fazer isso? Como ir além do que já tem sido feito nos anos anteriores?
O atual momento é oportuno para o incremento das parcerias. A prefeitura está com suas contas equilibradas, o governo estadual acabou de superar um déficit mensal de R$ 100 milhões herdado da administração anterior e a União demonstra disposição para investir mais em saneamento e habitação. Pouco mais de 5 mil casas já estão sendo construídas em Goiânia com recursos do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC). O nosso único temor é quanto ao efeito da crise financeira mundial nos cofres públicos brasileiros. O reflexo somente poderá ser avaliado em março ou abril deste ano.

Na avaliação do senhor, como a aliança em Goiânia entre o PT e o PMDB vai interferir no jogo político do Estado até 2010?
O PT contribuiu de forma decisiva para a nossa reeleição, juntamente com outros 12 partidos. Além do vice-prefeito, o partido acaba de indicar quatro filiados para funções no primeiro escalão da prefeitura. Nossa disposição é a de que todos os partidos que integraram a aliança se façam representar no governo. Quem elege tem a obrigação de ajudar no resgate de todos os compromissos assumidos com a população. Quanto a 2010, a tendência é que esse relacionamento esteja ainda mais fortalecido, independente dos nomes que venham formar a chapa que concorrerá ao governo estadual.

O senhor já disse que pode sim sair candidato em 2010. Que depende da vontade da população, se o senhor sentir que a candidatura "é absolutamente imprescindível" para Goiânia. O senhor é ou não candidato em 2010?
Não passava pelos meus planos voltar à Prefeitura de Goiânia e o destino se encarregou do contrário. Também não pensava em reeleição e a população se manifestou favorável, assegurando à administração altos índices de aprovação. Espontaneamente, muitas pessoas estão comentando uma hipotética candidatura ao Palácio das Esmeraldas, mas ainda é cedo para qualquer decisão. Uma coisa precisa ser dita: somente uma sinalização muito forte de Goiás, e principalmente de Goiânia, será suficiente para estimular a busca pelo poder no Estado. Estou vivendo os melhores momentos dos 50 anos vida pública na prefeitura e coloco o meu futuro nas mãos de Deus e do povo goiano.

Como a crise econômica vai interferir no trabalho dos prefeitos que assumiram seus cargos no dia 1º, e, mais especificamente, como vai influenciar a administração municipal em Goiânia? Quais áreas vão exigir maior esforço da equipe do senhor para não sofrer com a crise econômica?
A crise econômica mundial está entre os principais motivos que estimularam o enxugamento da máquina via reforma administrativa, aprovada pela Câmara Municipal. Não restava outro caminho senão por intermédio do corte de gastos e racionalização dos serviços oferecidos à população. De nossa parte estamos preparados para enfrentar a crise sem grandes alterações no dia-a-dia do governo. Desde 2005, o que mais fazemos na prefeitura é economia de guerra com telefone, maquinário, serviço de limpeza e varrição das ruas, aluguel e segurança dos prédios públicos. O fim de praticamente todas as terceirizações de serviços nos possibilitou uma economia mensal de R$ 4,5 milhões. É com esse dinheiro que estamos fazendo tantas obras.

O senhor pretende criar 7 subprefeituras neste ano. Por quê? É uma tendência das grandes cidades? Ainda na reforma proposta pelo senhor, há indicação de "modernizar a máquina administrativa". Como se daria isso?
São 7 administrações regionais. É muito difícil para um prefeito comandar, bem de perto, a rotina administrativa de uma capital com aproximadamente 1,3 milhão de habitantes e quase 700 bairros. Trata-se da necessária descentralização do serviço oferecido à população, uma tendência mundial. O cidadão precisa ter alguém mais próximo da sua casa para encaminhar a solicitação, a denúncia, a reclamação contra algum órgão que não esteja atendendo à altura. Realizamos dezenas de mutirões nos bairros, atividade em que os órgãos da prefeitura se deslocam aos bairros para atender a população nos finais de semana, mas mesmo assim a demanda continua alta. Daí a necessidade urgente da instalação das administrações regionais.

Goiânia até hoje sofre na área de saúde e transporte. Na saúde, há uma antiga briga entre Estado e município, principalmente no que se refere à responsabilidade sobre o atendimento para pacientes do interior, que acabam indo parar nas unidades municipais de saúde. Alguma proposta nova para solucionar esse impasse em 2009?
Não há uma antiga briga entre Estado e município na saúde, mas sim a falta de compromisso com o cumprimento da prerrogativa constitucional que estabelece o índice de investimentos no setor. A prefeitura jamais deixou de investir menos de 15% na saúde, muitas vezes 17% e até 18%. Nos últimos oito anos, o Estado investe apenas 7%, 8% da receita em saúde. A União, da mesma forma, deixa a desejar. O nosso clamor é para que todos os poderes invistam o que está escrito na Constituição, nada mais. De cada 100 usuários que procuram as unidades de saúde de Goiânia, 47% são originários de cidades do interior goiano ou de outros Estados. Se a prefeitura ficasse responsável apenas pelos cidadãos da capital, o atendimento de saúde em Goiânia seria um dos melhores do País.

No ano passado, houve uma licitação para contratação de empresas de ônibus, mas as queixas dos passageiros ainda são bem numerosas. A aquisição de novos veículos não resolveu os principais problemas reclamados por eles, como superlotação, demora das viagens e localização dos pontos. Nove meses depois da licitação, o cronograma de investimentos está bastante atrasado. Paralelamente, Goiânia é uma das capitais onde mais cresce o número de carros e motos novos nas ruas. Como resolver essa questão sem que fique parecendo mais uma nova promessa?
Proporcionalmente, Goiânia é a cidade que possui mais veículos por habitante em todo o País. O desafio é enorme, mas a capital ficou muito tempo parada no tempo, sem investimentos de vulto. Mudamos esse quadro da água para o vinho. Em quatro anos, realizamos a licitação pública e adquirimos 1.043 novos ônibus. Cerca de 400 novos pontos de ônibus estão sendo instalados e o próximo passo é a reforma e construção de terminais. Outros 80 ônibus seletivos começam a rodar este ano para incentivar o cidadão a deixar o veículo em casa. Paralelamente, viadutos e trincheiras estão sendo construídos em todas as regiões da cidade para eliminar pontos de estrangulamento no trânsito. Apesar de alguns atrasos no cronograma de investimentos, a transformação no eixo trânsito-transporte de Goiânia é visível.

Especial para Terra
Leia esta notícia no original em:
Terra - Brasil
http://noticias.terra.com.br/brasil/noticias/0,,OI3431321-EI7896,00.html