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Familiares se dizem chocados com absolvição de pilotos

Terça, 9 de dezembro de 2008, 15h51

Vagner Magalhães
Direto de São Paulo


Familiares das vítimas do vôo 1907 da Gol, que deixou 154 mortos no dia 29 de setembro de 2006, ficaram chocados com a decisão da Justiça Federal de Mato Grosso, que absolveu os pilotos americanos Joseph Lepore e Jan Paladino da denúncia de negligência. Os dois ainda respondem por "atentado contra a segurança de vôo".

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Na ocasião, o jato Legacy pilotado pelos norte-americanos se chocou no ar com o avião da Gol. O jato conseguiu pousar em segurança, enquanto a aeronave da Gol, que ia de Manaus para Brasília, caiu em Mato Grosso.

De acordo com Angelita de Marchi, vice-presidente da Associação dos Pais e Amigos das Vítimas do Vôo 1907, a decisão a deixou chocada.

"Acabei de receber a notícia e uma cópia da decisão, que é bastante extensa. Estou pasma, não consigo acreditar e espero que isso seja reversível. Quero ler a decisão com calma para emitir uma opinião mais consistente".

A decisão foi tomada na véspera da divulgação de um relatório da Aeronáutica que deverá responsabilizar Lepore e Paladino pelo acidente. O documento será apresentado amanhã aos familiares das vítimas na sede do Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos), em Brasília.

"Segundo informações preliminares que temos, a Aeronáutica afirma que o transponder - equipamento que serve para alertar para a possibilidade de uma colisão - foi desligado", disse Angelita.

Luciana Siqueira, diretora da entidade, classifica a decisão como "absurda". "Defendemos nestes dois anos e três meses que os pilotos do Legacy foram os principais responsáveis pelo acidente. Desligar o aparelho foi uma decisão muito grave. Não concordamos com essa absolvição", disse.

Na decisão, o juiz Murilo Mendes afirma que os pilotos "não tinham dúvida alguma de que navegavam no nível correto" e sabiam que a situação era de "normalidade". "Não tem sentido para mim a afirmação de que os pilotos deveriam acionar o código de emergência (...). Não deveriam acionar - ou não se pode exigir que o fizessem - pelo simples fato de que não havia situação de emergência alguma. Estava 'tudo normal'. O problema era apenas de comunicação", afirmou o juiz.

De acordo com o magistrado, não se pode dizer que os pilotos atuaram com negligência, já que os dois tentaram falar com o controle aéreo 12 vezes entre as 19h48 e 19h52.

Controladores
O juiz federal também absolveu os controladores Felipe dos Santos Reis e Leandro José Santos de Barros das acusações. O controlador Jomarcelo Fernandes dos Santos teve a acusação desclassificada de conduta dolosa (com intenção) para culposa (sem intenção).

O controlador Lucivando Tibúrcio de Alencar foi absolvido das condutas relacionadas com negligência no estabelecimento de comunicação com a aeronave Legacy e com negligência que teria havido na transmissão de um centro de controle a outro. Ele continuará respondendo à acusação de conduta relacionada com a omissão na configuração das freqüências no console.

Redação Terra
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Terra - Brasil
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