O comissário de Energia da União Européia (UE), Andris Piebalgs, descartou que os países-membros do bloco adotem alguma mudança na política comum de biocombustíveis motivada pela crise financeira internacional.
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Piebalgs, que participa da Conferência Internacional de biocombustíveis em São Paulo, disse em entrevista coletiva que a UE não reduzirá os planos de investimentos e metas em função da crise, "pois a bioenergia pode ser uma saída para a recuperação".
Para a UE, destacou Piebalgs, é "essencial" a meta de uso de um quinto de energia renovável no consumo até 2020 e, nesse sentido, comentou o potencial do Brasil como País produtor e exportador de etanol de cana-de-açúcar e biodiesel de oleaginosas.
"O Brasil é um País responsável e sério e se mostrou capaz de garantir o desempenho sustentável do setor de bioetanol", afirmou.
Em sua opinião, "o governo brasileiro pode exercer sua fiscalização" sobre as condições de produção do etanol e cumprir as normas exigidas aos importadores europeus.
O comissário europeu se reuniu com industriais brasileiros do setor da cana-de-açúcar e destacou que o grupo está disposto a negociar as condições para a exportação do etanol com tarifas menores, sem necessidade de levar o assunto a tribunais de arbitragem da Organização Mundial do Comércio (OMC).
"Estive reunido com especialistas brasileiros e nenhum deles mencionou a possibilidade de que os critérios propostos pela UE possam gerar alguma queixa na Organização Mundial do Comércio", ressaltou.
Piebalgs enfatizou que "o acordo é para facilitar a chegada do etanol brasileiro à Europa".
O comissário está à frente da elaboração da diretriz da UE sobre fontes renováveis de energia, documento que reúne os critérios que devem ser adotados para a produção e importação de combustíveis alternativos no bloco até 2020.
No entanto, a matriz que será usada ainda não foi definida e poderia ser escolhida entre o etanol, o biodiesel ou a eletricidade gerada por fontes renováveis como o mesmo álcool combustível.
A conferência em São Paulo, que termina na sexta-feira, aborda a perspectiva dos biocombustíveis e sua relação com a mudança climática, a segurança alimentar, as novas tecnologias e o mercado mundial, entre outros aspectos.
Apesar de a reunião ter enfatizado as vantagens da produção dos "combustíveis verdes", organizações sociais que fazem um seminário paralelo denunciaram as péssimas condições trabalhistas dessa indústria e o impacto da mesma sobre o meio ambiente.