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Leonel Brizola morre no Rio

Segunda, 21 de junho de 2004, 21h46
Leonel Brizola faleceu aos 82 anos no Rio
Leonel Brizola faleceu aos 82 anos no Rio
21 de junho de 2004
Rogério Lorenzoni/Redação Terra


A política brasileira perdeu na noite desta segunda-feira uma de suas maiores figuras nos últimos 50 anos. O presidente nacional do PDT e ex-governador do Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul Leonel Brizola morreu, aos 82 anos, no Hospital São Lucas, em Copacabana, zona sul do Rio, vítima de uma infecção pulmonar. Ele foi internado à tarde e seria transferido para outro hospital quando se sentiu mal. Por volta das 18h, sofreu um ataque cardíaco, sendo levado para o Centro de Tratamento Intensivo (CTI), onde morreu às 21h20.

Médicos informaram que Brizola foi internado à tarde, com vômito e diarréia, e submetido a um ecocardiograma, uma tomografia pulmonar e, após se sentir mal, a exames cardíacos. Foi quando sofreu um infarto agudo do miocárdio. O presidente do PDT, segundo a família, vinha reclamando de uma gripe, que teria começado na quinta-feira passada, quando retornou de uma viagem ao Uruguai.

Luto e velório
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva decretou luto oficial de três dias no país ao saber da morte. O presidente da Câmara dos Deputados, João Paulo Cunha (PT-SP), anunciou que não será mais realizada amanhã a votação da medida provisória do salário mínimo. Em vez disso, ocorrerá sessão solene em homenagem ao presidente do PDT.

O velório será realizado nesta terça no Palácio da Guanabara, sede do governo do Rio de Janeiro. Na quarta-feira, o corpo será velado no Palácio Piratini, sede do governo do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre. Na quinta-feira, Brizola será sepultado ao lado dos túmulos de sua mulher, Neusa Brizola, e do presidente João Goulart (1961-1964), na cidade de São Borja, no interior gaúcho.

Tão logo a notícia da morte de Brizola foi divulgada, políticos e personalidades começaram a chegar ao Hospital São Lucas. A governadora do Rio, Rosinha Matheus, chegou chorando ao hospital, acompanhada do secretário estadual de Segurança, Anthony Garotinho, ex-aliado de Brizola no PDT, mas que se tornou seu adversário político. Rosinha quer que o velório do ex-governador seja no Palácio Guanabara, sede do governo estadual.

Na China, onde está em viagem oficial, o governador do Rio Grande do Sul, Germano Rigotto, também ofereceu o Palácio Piratini, em Porto Alegre, para o velório do ex-governador.

No final da noite, uma pequena multidão, cantando o "Hino da Independência", acompanhou a saída do corpo de Brizola do hospital para o Instituto Médico Legal (IML).

Político polêmico e popular
Nascido em 22 de janeiro de 1922, em Carazinho (RS), Brizola foi durante cerca de 40 anos um dos políticos mais populares e polêmicos do país. Depois de entrar na política em 1945 no PTB do ex-presidente Getúlio Vargas, acabou eleito deputado federal em 1954 e prefeito de Porto Alegre (RS) no ano seguinte. Como governador do Rio Grande do Sul - eleito em 1958 -, comandou, em 1961, a "Campanha da Legalidade", garantindo a posse na Presidência do então vice-presidente João Goulart. O presidente Jânio Quadros havia renunciado em agosto, quando Goulart estava numa viagem à China. Militares tentaram impedir a posse do vice, mas acabaram recuando graças à reação popular capitaneada por Brizola.

Como governador do Rio Grande do Sul, Brizola teve um mandato polêmico, tendo encampado empresas multinacionais de energia elétrica e telefonia no Rio Grande do Sul. No governo de João Goulart, teve grande influência, lutando pelas chamadas "reformas de base".

Em 1964, Brizola teve os direitos políticos cassados e foi exilado com o golpe militar. Voltou ao Brasil em 1979 com a Anistia e retornou à política, mas perdeu o direito pela legenda do PTB para Ivete Vargas, sobrinha-neta de Getúlio. Fundou, então, com outros trabalhistas históricos, o PDT.

Em 1982, numa campanha surpreendente, foi eleito pela primeira vez governador do Rio de Janeiro. Fez um governo em que foi acusado pelos opositores de não combater o crime o que custou a eleição de seu vice, Darcy Ribeiro, para governador em 1986. Na eleição presidencial de 1989 - a primeira direta após a ditadura -, ficou em terceiro lugar, atrás de Fernando Collor e Lula, a quem acabou apoiando. Nesta época, uma frase sua ficou famosa. "Vamos fazer a direita engolir esse sapo barbudo", afirmou, numa referência ao candidato petista.

Em 1990, ele foi eleito para um segundo mandato no Rio de Janeiro, mas acabou deixando o governo desgastado e, graças ao aumento da violência, com a presença do Exército nas ruas. Acabou derrotado a partir de então em todas as eleições que disputou: presidente (1994), vice-presidente (1998, na chapa de Lula), prefeito do Rio (2000) e senador (2002). Recentemente tinha admitido a possibilidade de voltar a disputar a Presidência em 2006.

Redação Terra
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Terra - Brasil
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