Valério deixa sede da Polícia Federal em Belo Horizonte em comboio |
Luiz de França
Direto de São Paulo
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A Cervejaria Petrópolis afirmou, em comunicado, que não teve acesso ao inquérito da Polícia Federal e que não possui qualquer tipo de contato com Marcos Valério. A empresa se colocou à disposição para prestar qualquer tipo de esclarecimento. O advogado do empresário afirmou que não sabe por que seu cliente foi preso.
A investigação da PF agiu em três linhas, dividindo o grupo suspeito em três. O primeiro grupo, por meio de contatos públicos como Polícia Civil e Federal, Receita Federal e Estadual obtinha informações privilegiadas sobre determinados empresários que apresentavam problemas com o Fisco e com base nesses dados praticavam extorsão, exigindo valores em troca de uma possível solução.
O segundo grupo atuava em fraudes fiscais praticando importações ilegais por meio de empresas de fachada e contava com a ação de despachantes aduaneiros no Porto de Santos. Já o terceiro grupo foi identificado quando a cervejaria foi autuada.
De acordo com os documentos divulgados pela PF, delegados lotados na Polícia Federal de Santos produziram inquéritos para desqualificar a ação dos fiscais. Segundo a PF, dois envolvidos no grupo, que tiveram seus telefones interceptados, sempre deixaram claro que trabalhavam a mando de um "coordenador", que, segundo os autos, é Marcos Valério ou Rogério Tolentino. Valério seria quem "dava ordens de pagamento, anuía ou não com os valores a serem pagos e estabelecia a estratégia a ser seguida".
"O Valério era quem fazia a ligação entre as empresas, advogados e policiais", explicou o superintendente regional da PF em São Paulo, Leandro Daiello Coimbra.
Segundo a Polícia Federal, no total, 30 mandados de busca e apreensão e foram cumpridos 17 mandados de prisão contra policiais federais, civis, despachantes, advogados e empresários, entre eles, Valério. Em Belo Horizonte, foram presas quatro pessoas. A PF também apreendeu cerca de R$ 700 mil, entre reais e moedas estrangeiras.
Marcos Valério e Rogério Tolentino tiveram prisão temporária decretada pela juíza federal substituta Paula Mantovani Avelino. Segundo ela, eles fazem parte de um grupo com grande poder econômico, "o que lhes confere ampla possibilidade de interferirem nos procedimentos inquisitivos instaurados, pela destruição ou adulteração de evidências que estejam em seu poder".