» Biocombustíveis ameaçam plantas e animais
» Ministro alemão defende biocombustíveis
» Grã-Bretanha 'vai desacelerar uso de biocombustíveis'
O documento, divulgado anualmente com o título "O Estado Mundial da Agricultura e da Alimentação" (SOFA), analisa as vantagens e riscos dos biocombustíveis.
"A produção de biocombustíveis baseada em produtos agrícolas mais do que triplicou entre 2000 e 2007, e agora representa quase 2% do consumo mundial de combustíveis para o transporte", afirma o texto.
"Apesar da escassa importância dos biocombustíveis líquidos em termos de fornecimento energético mundial, a demanda de matérias-primas agrícolas (açúcar, milho, sementes oleaginosas) para obtê-los continuará aumentando na próxima década e talvez mais adiante, incrementando a pressão sobre os preços alimentares", advertem os especialistas da FAO.
A agência das Nações Unidas reconhece que o impacto dos biocombustíveis sobre o meio ambiente "nem sempre é positivo". "Uma maior produção e uso de biocombustíveis não contribuirá necessariamente para reduzir as emissões de gases que provocam o efeito estufa tanto como se havia suposto previamente", destaca o informe.
A FAO alerta também para a reutilização de terras agrícolas para a produção de biocombustíveis. "As mudanças no uso da terra - por exemplo o desmatamento para suprir a crescente demanda de produtos agrícolas - são uma grande ameaça para a qualidade do solo, a biodiversidade, e as emissões de gases que provocam o efeito estufa", afirmou Jacques Diouf, diretor geral da FAO.
"As políticas e subsídios dos biocombustíveis deveriam ser reconsideradas com urgência para manter o objetivo da segurança alimentar mundial, proteger os camponeses pobres, promover um desenvolvimento rural de ampla base e assegurar a sustentabilidade do meio ambiente", pede a FAO.
Os Estados Unidos ocupam a liderança na produção de etanol (álcool combustível), a partir do milho, com 48% do total mundial em 2007. O Brasil é o segundo maior produtor, com 31% do total mundial de etanol, fabricado a partir da cana-de-açúcar.
A FAO reconhece, no entanto, que os biocombustíveis apresentam uma oportunidade para os países pobres. Mas a organização ressalta que eles seriam favorecidos "pela supressão dos subsídios agrícolas e das barreiras comerciais".
A organização pede que os investimentos privilegiem a pesquisa de biocombustíveis de segunda geração, porque estes não são produzidos a partir de matérias-primas alimentares, e sim da palha ou da madeira.
AFP