A 1ª Cúpula da América Latina e do Caribe será realizada entre 16 e 17 de dezembro em Costa do Sauípe (BA), e promete unir, pela primeira vez, todos os governantes da região.
O mecanismo foi perfilado hoje no Rio de Janeiro por ministros das Relações Exteriores das nações latino-americanas e caribenhas e funcionários de alta categoria da região, sob o patrocínio do Governo brasileiro.
"Essa reunião será histórica. Tem um aspecto inédito, será a primeira vez que nos reuniremos sem ser convocados por uma entidade externa", disse o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim.
Existem outras cúpulas, como a da América Latina, do Caribe e da União Européia (UE) e a Cúpula das Américas (organizada a cada quatro anos e com a presença de Canadá e Estados Unidos), mas que exclui Cuba, destacou o ministro.
"O simples fato de ser realizada será importante. É a primeira vez em que é feita uma reunião em nível de chefes de Estado", disse Amorim em entrevista coletiva conjunta após a reunião na qual os funcionários perfilaram uma agenda para os governantes convocados ao encontro.
A "idéia geral" é a de uma cúpula sobre "integração para o desenvolvimento" e discutir os graves problemas comuns a estes países e que vão desde a atual crise financeira, o comércio e a alta dos preços dos alimentos, até as mudanças climáticas e desastres naturais.
O tema da crise financeira não figurava na agenda, "mas vai ter um papel muito importante", ressaltou Amorim.
Serão convidados os secretários executivos do Mercosul, da Associação Latino-Americana de Integração (Aladi), a Comunidade Andina (CAN), a Comunidade do Caribe (Caricom), o Sistema da Integração Centro-Americana (Sica) e a União de Nações Sul-americanas (Unasul).
A declaração conterá "princípios e ações concretas", pois a cúpula não deve ser "um fato único, mas um espectro", e, por isso, poderia ser organizada periodicamente, destacou Amorim.
O chanceler de Cuba, Felipe Pérez Roque, também explicou que na reunião de ministros e funcionários de Exteriores ficou claro hoje que a principal importância deste encontro é que, pela primeira vez, os 33 países discutirão seus "problemas com voz própria, sem a presença de outros atores de fora da região".
Para o Caribe, o tema da mudança climática ganhou relevância especial com a ocorrência de furacões cada vez mais fortes e mais freqüentes, destacou.
A questão-chave é a construção de uma América Latina e Caribe integrados. "Se outros países mais diversos conseguiram, por que nós não vamos conseguir?", questionou.
Roque e Amorim destacaram que a América Latina e o Caribe somam mais de 300 milhões de habitantes com um Produto Interno Bruto (PIB) superior a US$ 3 trilhões, enormes recursos naturais e energéticos e que, entre sua diversidade, têm em comum os mesmos problemas.
A secretária de Relações Exteriores do México, Patricia Espinosa, divulgou o texto com a posição do Governo mexicano.
Ela destacou que, diante da proliferação de mecanismos e fóruns regionais de integração, é necessário "estabelecer canais de comunicação e convergência entre eles".
O México está pronto "para prosseguir com a definição de passos concretos que nos permitam aprofundar a integração da região", destacou.
A secretária de Exteriores mexicana explicou que já há 26 organismos e fóruns regionais que abordam os aspectos políticos, econômicos e sociais da integração, assim como a infra-estrutura e interconexão.
América Latina e Caribe, em seu conjunto, já participam de nove destes mecanismos.
"No contexto atual, é mais importante e urgente avançar nestes processos de integração", afirmou Espinosa.
Até agora, não ficou claro se esta "convergência" implicaria no desaparecimento de algumas cúpulas e mecanismos de integração que tenham objetivos similares.
"É evidente que há muitas cúpulas", disse Pérez Roque à Agência Efe. Mas, se no futuro forem feitas revisões e se algumas forem eliminadas, "não será esta" da Bahia, mas "outras", como a Cúpula das Américas, acrescentou.
EFE