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Do naufrágio - descoberto durante a dragagem de uma zona rica em diamantes - restou um carregamento de balas de canhão, pedaços de madeira do casco com gravações de imagens de espadas. Entre os objetos que estavam nos destroços, moedas de ouro e prata, barras de cobre e presas de elefante.
O diretor do projeto de escavação, Weber Ndoro, descreveu o achado como "o descobrimento arqueológico mais interessante dos últimos 100 anos na África".
"Este é talvez o mais importante achado, em termos de artefatos perdidos, em um naufrágio nesta parte do mundo", disse Ndoro.
A costa dos esqueletos
É muito provável que a embarcação não tenha conseguido suportar as correntes e os agitados mares da costa da Namíbia.
A área é conhecida como 'a costa dos esqueletos' por conta dos esqueletos que submergem dos barcos afundados e das histórias dos marinheiros náufragos que morriam na paisagem deserta em busca de água e comida.
Descobrir a origem da embarcação é um desafio
As moedas de ouro que a coroa portuguesa começou a produzir em outubro de 1525 indicam que a embarcação não é a do famoso navegador Bartolomeu Dias, que desapareceu em uma das suas viagens ao redor do mundo, quando se encontrava ao redor da África, no ano de 1500.
Mas existem alguns indícios que podem ajudar, entre eles algumas pistolas giratórias utilizadas pelos navegantes espanhóis e portugueses, e a forma do barco, tipicamente portuguesa.
Entre os objetos encontrados existem, por exemplo, barras de cobre com o selo do tridente que pertencia ao banqueiro e comerciante alemão Jakob Fugger, o principal provedor de matérias primas da coroa portuguesa.
Os instrumentos de navegação encontrados foram enviados a Portugal para a sua investigação, enquanto que os pratos e jarras de metal, as peças de cerâmica, as barras de cobre e os dentes de elefante foram guardados em depósitos da companhia de mineração que estava fazendo a dragagem.
As moedas de ouro e prata foram depositadas em uma caixa de segurança em um banco.
Os especialistas já analisam a origem dos objetos. "É um carregamento muito interessante: existem objetos da Ásia, Europa e África", afirmou Ndoro. "Sempre temos que pensar que a globalização começou ontem, mas na realidade, aqui vemos que algo começou em 1500".
Coleção intacta
A zona onde se encontra o barco está a cerca de 130 km ao sul da cidade portuária de Luderitz, uma área que não se tem acesso por causa do trabalho de mineração.
Bruno Werz, o arqueólogo responsável pelas escavações afirmou que este naufrágio é particularmente valioso porque não havia sido tocado por ninguém antes.
Arqueólogos da África do Sul, Namíbia, Zimbábue, Estados Unidos, Reino Unido e Portugal trabalham no projeto que deve terminar em meados de outubro.
Quando a escavação termine, começará a tarefa de identificar, documentar e preservar os objetos, o que pode demorar até 30 anos.