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Pós dá pontos em concurso público e causa polêmica

Quinta, 28 de agosto de 2008, 22h48


Se tem algo que é consenso entre quem presta concurso é que não tem jeito: para passar e ser chamado para a sonhada vaga no serviço público, só estudando, e bastante. Mas dependendo das exigências do edital, às vezes o candidato conta com um empurrãozinho que não depende só da hora do exame. A prova de títulos, que costuma pontuar as pós-graduações do concursando, pode ser o pulo do gato para conquistar a vaga.

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O administrador de empresas gaúcho Ricardo Flores Pinto, 30 anos, recebeu um ponto no último concurso para analista executivo em metrologia do Instituto de Metrologia, Normatização e Qualidade Industrial (Inmetro) graças à prova de títulos. Embora não tenha sido decisiva para a aprovação, a pontuação, equivalente a um acerto na prova objetiva, manteve Ricardo no páreo. A sorte é que não apareceu nenhum candidato com qualificações maiores.

Ele apresentou à banca o certificado de sua pós FGV Executivo Júnior (Especialização em Administração de Empresa). "A especialização sempre é uma pontuação relativamente baixa, ainda mais com relação aos candidatos com mestrado e doutorado. Para se ter uma idéia, na mesma prova o mestrado valia 3 e o doutorado 5 pontos", comenta.

Se a pós salva uns, pode complicar a aprovação de outros. O biólogo fluminense Daniel Veloso Cadilhe, 27 anos, chegou a entrar em uma comunidade no orkut para expressar sua fúria contra as provas de títulos em concursos públicos. Ele prestou concurso em 2005 para a função de biólogo e ficou em 11º lugar na primeira fase, para 14 vagas. "Na época estava no final do mestrado, mas sem tê-lo concluído ainda, portanto, sem o diploma que é exigido para comprovação", lembra. Com isso, e com os pontos dados por tempo de serviço aos demais concorrentes, Daniel despencou na lista de classificados, ficando em 22º.

"O indivíduo que tem uma pós-graduação teoricamente está mais preparado, mas na prática não é isso que acontece. Assim como temos cursos de graduação ruins, o mesmo ocorre com os cursos de pós-graduação. Até no mestrado encontrei pessoas completamente despreparadas. Basta que o aluno tire a nota mínima, muitas vezes conseguida à custa de trabalhos e seminários, para que ele conclua o curso, o que não quer dizer que tenha aprendido", desabafa. Para Daniel, que hoje tem até doutorado, a prova de títulos não deveria existir: "O ideal seria haver também uma entrevista com os melhores colocados. Na ausência dessa entrevista, deveria ser considerada apenas a prova, pois demonstra o grau de conhecimento do aluno."

Redação Terra
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Terra - Brasil
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