Notícias » Brasil

Clinton condena imposição de democracia ao Iraque

Sábado, 22 de maio de 2004, 12h37
O ex-presidente dos EUA elogiou a atuação das ONGs no mundo
O ex-presidente dos EUA elogiou a atuação das ONGs no mundo
22 de maio de 2004
Redação Terra


O ex-presidente dos EUA Bill Clinton, falando na inauguração do Instituto Fernando Henrique Cardoso (iFHC) em São Paulo, disse que não concorda com as atitudes dos EUA no Iraque, mas também não compartilha da crença de que o motivo de tudo é o poder e o petróleo. Ele destacou que uma parte da sociedade americana e do governo acredita no que está sendo feito como algo positivo, necessário e que somente os EUA poderiam fazer. A palestra de Bill Clinton foi transmitida com exclusividade pelo Portal Terra.

"Eles crêem que este momento de poder militar e econômico sem precedentes dos EUA deve ser aproveitado para limpar o mundo", explicou, "mas a democracia não pode ser imposta. Os iraquianos têm que querê-la". Para o ex-presidente, os EUA devem retirar-se, dar lugar à ONU e apoiá-la para que ela atue de maneira a resolver a questão.

Clinton defendeu fortemente que devemos ser otimistas em relação ao estado da democracia no mundo e ressaltou o papel cada vez mais importante das ONGs para o estabelecimento deste regime que é, segundo ele, o único caminho a ser tomado. "As democracias são mais do que eleições onde você tem a maioria que vence. São lugares onde há direitos das minorias e também liberdades fundamentais: de associação, de imprensa, de religião. E existe uma necessidade de limite ao poder do governo, para evitar os abusos. Onde o governo é limitado e as minorias respeitadas, a democracia é forte e o papel das ONGs é ainda mais importante", defendeu.

Ele destacou o fato de que a maior parte das nações hoje vive sob regimes democráticos, mais e menos fortes, e até mesmo na China, maior nação do mundo, a democracia está chegando.

O ex-presidente ressaltou também a verdadeira ameaça à democracia, que é, na opinião dele, a incapacidade do regime de conseguir melhorar a vida das pessoas, ou de mostrar que a vida delas poderá ser melhor. E avisou que a solução não é rejeitar a globalização. "É impossível construir uma democracia integrada global apenas com democracias nacionais. Há que se ter uma consciência global". Ele salientou ainda "a grande explosão das ONGs no final do século XX, para reivindicar mais direitos, controlar as atitudes dos governos e ocupar espaços sociais que estes governos não conseguem manejar".

Para Bill Clinton, o que caracteriza a nossa era, mais do que a globalização, é a interdependência, que não tem uma marca econômica. "Acho que essa primeira metade do século XXI vai ser um embate entre as forças da interdependência positiva e da interdependência negativa", disse ele.

Redação Terra
Leia esta notícia no original em:
Terra - Brasil
http://noticias.terra.com.br/brasil/noticias/0,,OI312658-EI306,00.html