Marina Mello
Direto de Brasília
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Segundo Lacerda, o nome de Carvalho apareceu nas investigações porque a PF monitorava o telefone do ex-deputado e advogado Eduardo Greenhalgh, que foi contratado pelo grupo do banqueiro Daniel Dantas. Como Greenhalgh estava sendo monitorado, a PF conseguiu captar um telefonema feito por ele para Carvalho no qual ele teria tentado obter com Carvalho informações sobre um dos sócios de Daniel Dantas, Humberto Braz, que suspeitava ser alvo de uma investigação.
Para auxiliar Greenhalgh, Carvalho teria então entrado em contato com o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência da República. Lacerda explica que o GSI contatou a Abin e recebeu a resposta falsa de que nenhuma investigação estava em curso contra Humberto Braz.
Isso porque, para saber desta questão, um agente da Abin entrou em contato com autoridades do Rio de Janeiro para saber se existia alguém da PF ou da agência seguindo Humberto Braz, porque ele teria percebido algo neste sentido e estaria com medo de seqüestro.
A resposta repassada (Lacerda não explicita se foi um profissional da agência ou da PF que repassou a informação) foi de que a policia do Rio de Janeiro, "em abril ou maio" recebeu uma denúncia de que Braz estaria sendo seguido. Ela identificou o veículo do perseguidor e abordou seu condutor, que é agente da Abin, mas se identificou como sendo dos quadros da presidência da República, e disse que, na verdade, investigava um estrangeiro.
Segundo Lacerda, a informação foi, na verdade, uma "historia" inventada para não atrapalhar as investigações da Satiagraha.
Nota de Carvalho
No dia 14 de julho, Carvalho divulgou nota em que afirma que Greenhalgh havia pedido informações sobre um tenente da Polícia Militar que teria perseguido Humberto Braz no Rio de Janeiro. No texto, ele negou que os dados encaminhados ao ex-parlamentar sejam tráfico de influência.
Segundo o assessor, Greenhalgh informou que Braz havia sido "seguido no Rio de Janeiro, após deixar os filhos na escola, e que, interceptado pela Polícia do Rio, o condutor do carro que pretensamente lhe fazia a perseguição se apresentou como tenente da Polícia Militar de Minas Gerais, exibindo documentos que diziam estar a serviço da Presidência da República".
Greenhalgh teria entrado em contato com Carvalho para verificar se a informação procedia ou se era uma "tentantiva de seqüestro comum, com uso de documentação falsa".
O chefe de gabinete disse que foi informado no Gabinete de Segurança Institucional da Presidência que o tenente era credenciado, mas não realizava o trabalho descrito por Greenhalgh.