Ernani Alves
Direto do Rio de Janeiro
» Juíza tira algemas de Beira-Mar
» PF faz segurança em julgamento
Beira-Mar acompanha o julgamento sem algemas, após um pedido feito por seu advogado com base na decisão do Supremo Tribunal Federal. O traficante é acompanhado de perto por dois policiais. Pelo menos cinco viaturas da PF realizaram a escolta do criminoso, desde a superintendência da corporação até o Tribunal do Júri, onde ele chegou por volta das 7h.
Beira-mar é acusado do crime de associação para o tráfico de drogas e foi denunciado pelo Ministério Público em maio de 2000, juntamente com outros oito réus. O julgamento é presidido pela juíza Maria Angélica Guerra Guedes.
O traficante disse ainda que fazia um curso pré-vestibular na época e admitiu ter morado na favela Beira-Mar, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. Além da construtora, ele disse também ter uma loja de materiais de construção.
Beira-Mar negou envolvimento com o crime e alegou que a polícia tenta relacionar casos ocorridos em Duque de Caxias ao nome dele. "Tudo que acontece em Caxias eles atribuem a mim para valorizar o processo."
O traficante também afirmou que é casado e tem seis filhos reconhecidos, com idades entre 10 e 23 anos. O interrogatório do réu, feito pela juíza, durou cerca de cinco minutos. Ele não foi questionado pela defesa ou pela promotoria.
Julgamento
O julgamento começou por volta das 10h, com a escolha dos jurados. Foram selecionadas cinco mulheres e dois homens. Logo após, teve início a leitura da denúncia. Cerca de 30 policiais federais - alguns descaracterizados - participam do esquema de segurança montado para o julgamento. A maioria dos agentes ocupa o corredor de acesso ao local, com fuzis.
Denúncia
De acordo com a denúncia, em 24 de maio de 1996, por volta das 16h, na estrada São João de Meriti, em Duque de Caxias, na altura da favela Vila Ideal, os policiais Andecley Antônio Santana Cardoso e Demerval Edson Lourenço avistaram carro com quatro homens suspeitos.
O veículo teria sido perseguido e, ao parar na entrada da favela, seus ocupantes começaram a atirar nos policiais.
Segundo o MP, os disparos foram efetuados para dar cobertura a Charles Silva Batista, o Charles do Lixão, líder do tráfico de entorpecentes no local. Primeiro denunciado pelo Ministério Público, Charles do Lixão é o únio acusado pelas tentativas de homicídio dos policiais.
Além de Beira-Mar e Charles Batista, foram denunciados Joãozinho, Ricardo Pereira da Silva, o Ricardinho, Josenildo Ramos da Silva, Rosenildo Lucena Mendes, Walter David de Sant'Anna, o Vavá, Márcio de Oliveira Diniz, o Jaz, e Oliciano do Nascimento, o Ulisses.
Ainda segundo o Ministério Público, os denunciados faziam parte do Comando Vermelho e estariam associados para buscar a expansão dos negócios ilícitos com intuito de dominar o narcotráfico em Duque de Caxias.