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Beira-Mar se diz empresário e alega inocência

Sexta, 15 de agosto de 2008, 10h53

Ernani Alves
Direto do Rio de Janeiro


O traficante Luiz Fernando Costa, o Fernandinho Beira-Mar, se declarou empresário, dono de uma construtora em Betim, na região metropolitana de Belo Horizonte (MG). Ele alegou que, em 1996, quando ocorreu o crime pelo qual é julgado nesta manhã no 4º Tribunal do Júri do Rio de Janeiro, não estava no Estado, por conta do negócio.

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Beira-Mar acompanha o julgamento sem algemas, após um pedido feito por seu advogado com base na decisão do Supremo Tribunal Federal. O traficante é acompanhado de perto por dois policiais. Pelo menos cinco viaturas da PF realizaram a escolta do criminoso, desde a superintendência da corporação até o Tribunal do Júri, onde ele chegou por volta das 7h.

Beira-mar é acusado do crime de associação para o tráfico de drogas e foi denunciado pelo Ministério Público em maio de 2000, juntamente com outros oito réus. O julgamento é presidido pela juíza Maria Angélica Guerra Guedes.

O traficante disse ainda que fazia um curso pré-vestibular na época e admitiu ter morado na favela Beira-Mar, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. Além da construtora, ele disse também ter uma loja de materiais de construção.

Beira-Mar negou envolvimento com o crime e alegou que a polícia tenta relacionar casos ocorridos em Duque de Caxias ao nome dele. "Tudo que acontece em Caxias eles atribuem a mim para valorizar o processo."

O traficante também afirmou que é casado e tem seis filhos reconhecidos, com idades entre 10 e 23 anos. O interrogatório do réu, feito pela juíza, durou cerca de cinco minutos. Ele não foi questionado pela defesa ou pela promotoria.

Julgamento
O julgamento começou por volta das 10h, com a escolha dos jurados. Foram selecionadas cinco mulheres e dois homens. Logo após, teve início a leitura da denúncia. Cerca de 30 policiais federais - alguns descaracterizados - participam do esquema de segurança montado para o julgamento. A maioria dos agentes ocupa o corredor de acesso ao local, com fuzis.

Denúncia
De acordo com a denúncia, em 24 de maio de 1996, por volta das 16h, na estrada São João de Meriti, em Duque de Caxias, na altura da favela Vila Ideal, os policiais Andecley Antônio Santana Cardoso e Demerval Edson Lourenço avistaram carro com quatro homens suspeitos.

O veículo teria sido perseguido e, ao parar na entrada da favela, seus ocupantes começaram a atirar nos policiais.

Segundo o MP, os disparos foram efetuados para dar cobertura a Charles Silva Batista, o Charles do Lixão, líder do tráfico de entorpecentes no local. Primeiro denunciado pelo Ministério Público, Charles do Lixão é o únio acusado pelas tentativas de homicídio dos policiais.

Além de Beira-Mar e Charles Batista, foram denunciados Joãozinho, Ricardo Pereira da Silva, o Ricardinho, Josenildo Ramos da Silva, Rosenildo Lucena Mendes, Walter David de Sant'Anna, o Vavá, Márcio de Oliveira Diniz, o Jaz, e Oliciano do Nascimento, o Ulisses.

Ainda segundo o Ministério Público, os denunciados faziam parte do Comando Vermelho e estariam associados para buscar a expansão dos negócios ilícitos com intuito de dominar o narcotráfico em Duque de Caxias.

Redação Terra
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Terra - Brasil
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