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Milhares palestinos abandonam casas por temor a demolições

Domingo, 16 de maio de 2004, 16h44


(inclui declarações e mais dados)

Milhares de palestinos abandonaram hoje, domingo, suas casas no sul da Faixa de Gaza por temor à uma iminente operação israelense para ampliar o chamado "Corredor Filadélfia" mediante a demolição de centenas de imóveis em suas imediações.

Fontes palestinas informaram que umas 3.000 pessoas abandonaram a zona contígua ao corredor nas últimas horas e se concentraram nas praças, ruas e colégios da cidade de Rafah, depois de uma decisão do Tribunal Supremo de Israel que autoriza essa operação.

Israel demoliu na sexta-feira uma centena dessas casas e deixou sem teto mais de mil palestinos, mas a operação ficou congelada por dois recursos apresentados pelos afetados.

O Tribunal Supremo de Israel rejeitou pela manhã um dos recursos e a tarde o segundo, o que de fato dá sinal verde ao Exército para continuar com a demolição das casas.

O Supremo aceitou a postura do Estado israelense no sentido que o Exército outorgará o direito de apresentar seus argumentos aos demandantes antes que suas casas sejam derrubadas por escavadeiras militares.

Analistas assinalam no entanto que esse procedimento não terá efeito prático algum, porque só se aplicará sempre que a demolição imediata de casas não seja um imperativo por razões de segurança, considerando que certamente fica em mãos do mesmo Exército.

A decisão de ampliar o "Corredor Filadélfia", paralelo a fronteira com Egito e de nove quilômetros, segue a morte ali de sete soldados israelenses em dois ataques palestinos na quarta-feira e na sexta-feira.

As autoridades militares alegam que desde essas casas os militantes da resistência palestina disparam contra os soldados israelenses, e que as demolições são necessárias para alargar essa via fronteiriça com o fim de impedir o contrabando de armas e munição desde o deserto egípcio do Sinai.

Fontes israelenses informaram esta noite que numerosas forças militares estão nas imediações da Faixa de Gaza para efetuar a operação de demolição.

Ao mesmo tempo, testemunhas palestinos de Rafah falam da presença de numerosos tanques que chegaram na zona nas últimas horas.

"Centenas de casas ao longo da fronteira com Egito foram marcadas para demolição", corroborou o chefe do exército, general Moshé Yaalom, em uma intervenção hoje ante o conselho de Ministros de seu país.

O militar desmentiu que as casas estivessem habitadas e ressaltou que "em 80 por cento delas não vive ninguém" há meses.

Em previsão do deslocamento forçado de milhares de pessoas, a Autoridade Nacional Palestina (ANP) concedeu uma ajuda de 1.000 dólares para cada família afetada, com um orçamento global de 300.000 dólares.

Trata-se de uma ajuda "simbólica" em comparação com o que representa perder uma casa, disseram os representantes da ANP que hoje visitaram a zona para estudar a situação.

Testemunhas palestinos relataram a edição eletrônica do jornal israelense "Yediot Aharonot" que ao longo do dia numerosos afetados conseguiram tirar seus pertences e objetos mais pessoais em previsão do pior, e que em muitos casos levaram até esquadrias de janelas e os telhados de amianto para poder reconstruir uma favela em algum outro lugar.

Hasan Dohan, um jornalista que vive em Rafah, se queixou em declarações ao "Yediot Aharonot" da decisão do Tribunal Supremo israelense, porque se "todo o mundo reconhece que Rafah é zona ocupada, (os juízes) deveriam saber que o direito internacional lhes impede autorizar ao Exército que destruam as vidas de seus habitantes". EFE

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EFE
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Terra - Brasil
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