Felipe Sáles
» Leia mais notícias da agência JB
Pelo menos é o que pretendem os empresários de Botafogo que, segundo a Associação Comercial e Empresarial (Asceb), estão dispostos a investir em torno de R$ 1,2 milhão em pelo menos 36 câmeras a serem instaladas nas ruas do bairro.
Mesmo exigindo custos mínimos do Estado, o projeto está há quatro meses dependendo apenas do aval da Secretaria de Segurança Pública para ser implementado.
"A idéia é tornar Botafogo um bairro de excelência em segurança", explicou o presidente da Asceb, Marcelo Ferreira. "O Estado sempre argumenta dificuldades financeiras, e a iniciativa privada está disposta a ajudar. Temos a tecnologia e o financiamento."
O projeto "De olho nas ruas", proposto pela Asceb, planeja instalar 16 câmeras centrais e outras 20 adjuntas nas ruas do bairro. Através do software Evidence, as chamadas câmeras inteligentes são capazes de identificar invasões de áreas restritas, ler placas de carros, reconhecer foragidos da Justiça, suspeitar de objetos abandonados e identificar conflitos.
Até mesmo se um homem estiver muito tempo à toa em uma agência bancária, por exemplo - como acontece no crime de saidinha de banco - o alerta é dado: na tela, o homem é marcado e um sinal sonoro é emitido.
O projeto prevê a instalação de uma central de monitoramento no bairro, que irá retransmitir as imagens para a Secretaria de Segurança e até para o Ministério Público.
Ao projeto poderão ser incluídas mais câmeras, de acordo com a demanda dos comerciantes da região. Os funcionários da central de monitoramento seriam policiais da reserva e deficientes físicos.
A Asceb espera fazer um convênio com a Secretaria de Segurança nos moldes da privatização do 190. Ao Estado caberia apenas arcar com custos de retransmissão de imagem, através de subsídios junto à Embratel. O projeto foi enviado em março à secretaria, que por sua vez remeteu à análise da Polícia Militar. Até hoje não houve resposta.
Câmeras do Pan estocadas
O bairro tem só três câmeras - das 220 existentes na cidade - ligadas ao 2º BPM (Botafogo). Outras 300 - herança dos Jogos Pan-Americanos - estão estocadas por falta de compatibilidade com a tecnologia adotada pelo Centro de Comando e Controle da secretaria.
O secretário José Mariano Beltrame prometeu instalá-las até 20 de julho, mas o prazo mudou para até dezembro. Em agosto de 2007, o subsecretário de Planejamento Operacional, Roberto Sá, exaltava que as câmeras do Pan ajudariam a diminuir o roubo de veículos, que sempre é seguido de outros delitos como distribuição de drogas, desova de cadáveres e invasões de favelas.
Atualmente, só a Polícia Rodoviária Federal tem câmeras capazes de ler placas de carros. A região de Botafogo é a segunda do Rio de Janeiro que mais registra furto de veículos. E esse é, segundo o ISP, o crime que mais cresceu até maio deste ano, com 24,8%.
JB Online