Aline quebrou a coluna e a bacia e ficou paraplégica |
Juliana Yonezawa e Ernani Lemos
Direto de Dublin
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Aline não tem seguro-saúde. Como nem todos os ferimentos estão cicatrizados, ela tem de ficar sempre deitada. Sentar em uma cadeira de rodas só é permitido, no máximo, 30 minutos por dia.
Os médicos dizem que a paralisia dela é definitiva. Aline não confia neles e afirma que vai vencer essa batalha. "Sei que não vai ser fácil, mas eu tenho fé e acredito que vou voltar a andar", diz Aline.
Atropelamento
O acidente aconteceu no dia 22 de julho por volta das 6h50, quando ela estava a caminho do trabalho.
Aline distribuía jornais gratuitos em uma esquina perto do centro de Dublin. Para ganhar tempo, saía de casa pedalando. Em uma curva, um caminhão tocou na bicicleta e ela caiu. O veículo passou por cima dela e seguiu adiante sem prestar ajuda.
Uma mulher, que sempre pegava jornal com Aline, viu o acidente e chamou socorro. Durante todo o tempo, a estudante ficou consciente e disse que na hora, por instinto, tentou proteger a cabeça com as mãos e que pouco depois do atropelamento já não movia e nem sentia as pernas.
Dias depois, a polícia conseguiu localizar o veículo e identificar o motorista, que será processado.
Amigos
Apesar de passar por essa situação, Aline faz questão de manter o bom humor e brinca com todos que passam pelo seu quarto.
"Chorar não vai trazer minhas pernas de volta. Penso que a recuperação será mais rápida se eu me mantiver sempre alegre", afirma.
O amigo de infância, José Marcos Chaves, que também está em Dublin, diz que o apoio dos amigos é fundamental, principalmente por ela estar longe de casa e da família.
A colega de trabalho Aline Flores leva comida quase todos os dias para o hospital e ajudou a organizar uma "vaquinha" para pagar as despesas do aluguel da estudante.
"Foi a primeira vez que um acidente como esse aconteceu com alguém que eu conheço. A Aline é uma pessoa com muita garra que me deu uma lição de vida", afirma a colega.
Até quem não a conhece tenta ajudar de alguma forma. A estudante chegou a receber um cartão de um carteiro que leu a notícia no jornal. Ele desejou melhoras e ainda deu uma pequena quantia em dinheiro para ajudar no tratamento.
De tanto receber correspondências e visitas, Aline acabou sendo apelidada de celebridade pelos funcionários do hospital.
Tratamento
Atualmente o desejo da estudante é receber tratamento no Brasil para ficar mais perto da família. Aline diz que a mãe é muito doente e que não teria condições físicas nem financeiras de viajar para a Irlanda.
A estudante pediu ajuda da Embaixada brasileira para conseguir uma vaga em um hospital de reabilitação. Os médicos disseram que ela só poderá voltar para o Brasil se a continuação do tratamento estiver garantida.