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Manaus torna-se pólo da cocaína rumo ao exterior

Sábado, 16 de agosto de 2008, 10h19

Hermano Freitas


Na rota amazônica da cocaína por meio fluvial, a capital do Amazonas torna-se mais um pólo de distribuição da droga para o exterior. Segundo o general de brigada do Comando Militar da Amazônia, João Carlos de Jesus Corrêa, Manaus pode "se transformar em uma Medellín" em pouco tempo. O secretário de Inteligência do sistema de Segurança Pública do Amazonas, Thomaz Vasconcelos Dias, discorda da avaliação, mas reconhece no tráfico de drogas um dos maiores problemas de polícia do Estado. "As apreensões de cocaína em 2008 somaram mais de 500 kg e 60% dos presos que estão em cadeias amazonenses são traficantes", diz.

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Para efeito de comparação, de acordo com um levantamento de 2007 da Secretaria de Administração Penitenciária de São Paulo, dos cerca de 100 mil presos que cumprem pena no Estado, pouco mais de 25 mil foram condenados por tráfico, ou seja, 25%. No Estado amazonense, o percentual dos presos por tráfico chega a 60%, de acordo com Vasconcelos Dias. Para o general Jesus Corrêa, a maior ameaça da cidade é se transformar em um grande centro de refino da pasta-base da coca oriunda da Colômbia.

"Os países estrangeiros não querem saber de cocaína para ser refinada em seu território, eles querem receber o produto pronto", diz. O secretário de inteligência nega que exista potencial de refino de cocaína em Manaus, mas diz que as rotas fluviais favorecem que a cidade seja uma "parada" do pó no caminho por mar para a Europa.

Rota fluvial
Como Terra noticiou no dia 22 de julho, a fiscalização por radares, satélites e aviões do Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam) do Sistema de Vigilância da Amazônia (Sivam) fez com que o tráfico de drogas no Amazonas trocasse os pequenos aviões por barcos para infiltrar a droga no País. O secretário afirma que os criminosos se valem do conhecimento de território dos ribeirinhos e até de índios para driblar a fiscalização.

A extensão territorial da fronteira e a sua natureza geográfica de floresta equatorial, para o general Jesus Corrêa, são fatores que também contribuem para o problema. Para reprimir o tráfico, a Polícia Federal (PF) anunciou no último dia 5 o aumento do efetivo de pessoal e do número de bases fixas, principalmente nas regiões onde o tráfico internacional de drogas tem atuação mais forte. A ação é parte do projeto Direção Itinerante.

Será instalada em Santo Antônio do Içá, a 960 km de Manaus, a nova base da Operação Cobra (sigla de Colômbia-Brasil). A base estará posicionada na confluência dos rios Içá e Solimões, considerada uma das maiores passagens do tóxico em sua infiltração no País.

Redação Terra
Leia esta notícia no original em:
Terra - Brasil
http://noticias.terra.com.br/brasil/noticias/0,,OI3066037-EI5030,00.html