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União Européia já tem 25 membros

Sábado, 1 de maio de 2004, 12h05


A União Européia deu hoje as boas-vindas a dez novos Estados membros, na maior ampliação de sua história, crescendo em direção ao leste e passando a ter 25 integrantes.

Opine: o que você achou da entrada de mais dez países na União Européia?

A adesão oficial ao bloco de oito países da Europa central e do leste, e de duas pequenas ilhas do Mediterrâneo, foi saudada na manhã de hoje em Dublin como "um novo começo" pelos presidentes das três principais instituições da UE.

O primeiro-ministro da Irlanda e atual presidente do Conselho Europeu, Bertie Ahern; o chefe da Comissão (braço executivo do bloco), o italiano Romano Prodi, e o do Parlamento Europeu, o irlandês Pat Cox, destacaram a "determinação" e a coragem dos povos da Europa central e oriental, que viveram uma "revolução tranqüila", passando em quinze anos da ditadura comunista a um bloco de países democratas.

"Mesmo nos anos obscuros do stalinismo, eles nunca perderam a esperança da liberdade", afirmou Prodi.

A entrada de Polônia, República Checa, Hungria, Eslováquia, Eslovênia, Lituânia, Letônia, Estônia, e das ilhas de Chipre e Malta, acrescenta 75 milhões de habitantes à União Européia e aumenta em um terço o território do bloco, estendendo suas fronteiras até as portas da Rússia.

Cox pediu que a UE recupere "o espírito de 1989", quando os cidadãos europeus derrubaram pacificamente o Muro de Berlim e acabaram com quarenta anos de divisão.

Ahern, Prodi e Cox disseram que a grande Europa que nasce hoje "pode funcionar e ser forte", mas advertiram que isso requererá o encerramento o mais rápido possível das negociações sobre a Constituição.

A mudança de governo na Espanha despertou a esperança de um acordo sobre a questão antes do final do semestre de presidência da Irlanda na UE com base na minuta elaborada pela Convenção.

Ahern e o novo presidente de governo da Espanha, o socialista José Luis Rodríduez Zapatero, se reunirão ainda hoje em Dublin, após a cerimônia oficial de boas-vindas aos novos Estados membros, para discutir o reatamento das negociações constitucionais, previsto para o dia 17 deste mês em Bruxelas.

Em um dia de festa marcado pelo otimismo, nenhum dos dirigentes da UE disse como poderão ser superadas as divergências que ainda separam os 25 países em torno de questões-chave, como a divisão do poder nas instituições da UE.

Também não quiseram comentar o recente anúncio do primeiro-ministro do Reino Unido, Tony Blair, de que submeterá a referendo no país a ratificação do tratado constitucional, embora os três tenham admitido que "será necessário um grande esforço de explicação" à opinião pública.

Cox pediu que os britânicos se orientem "pelas provas, não pelos preconceitos", e condenou as manchetes dos tablóides ingleses, que, em um dia como hoje, provocam alarme ao dizer que uma "maré humana" de imigrantes virá do leste com a ampliação do bloco.

Frente aos temores de empobrecimento e paralisia da União, o presidente do Conselho Europeu, Bertie Ahern, deu "cem e mil vezes" as boas-vindas aos dez países que entraram hoje para o bloco.

"Hoje, abrimos as portas à grande família européia e lhes damos, na melhor tradição irlandesa, cem e mil vezes as boas-vindas", afirmou.

O presidente do Conselho disse ainda que "a União mudará com vinte e cinco membros, mas essa mudança será para melhor (...). Dez novos membros melhorarão e fortalecerão a União".

"A União Européia não representa nenhuma ameaça a sua singularidade. Pelo contrário, a União nos permite celebrar nossa diversidade. E, ao mesmo tempo, trabalhando juntos conseguiremos vencer em nome de todo o povo da Europa", disse aos novos membros.

Prodi falou sobre "os valores democráticos compartilhados" e a "grande riqueza comum" dos 25 países, mas advertiu que ainda restam muitas questões pendentes, entre elas o problema de Chipre, que na semana passada decidiu em referendo perpetuar a divisão de suas comunidades turca e grega.

O presidente da Comissão lembrou que, obtida a incorporação dos dez novos membros, o organismo que ele preside recomendou que sejam abertas as negociações com a Croácia, além das que já estão em andamento com a Bulgária e a Romênia e das pendentes com a Turquia.

Prodi também destacou a necessidade do combate ao terrorismo. "Nenhum país, nem sequer uma União do tamanho da que conquistamos, pode enfrentar por si só este fenômeno".

EFE
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Terra - Brasil
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