Suspeita-se que a filha da falecida, estudante de Medicina, de sobrenome Song e um dos dois casos confirmados, tenha sido infectada com o vírus no laboratório de pesquisa do Centro, um dos principais no estudo da doença.
As autoridades destacaram hoje que a enfermeira de Pequim, em quem se confirmou a doença, apresentou sinais de melhora. Já o estudante de Anhui (onde viajou da capital chinesa ao se sentir doente) e o médico de Pequim (caso suspeito) estão "em condição estável". O Centro foi fechado e posto em quarentena e os que se encontram em seu interior não podem sair. A enfermeira que cuidou em Pequim da estudante de Medicina foi isolada
Entre abril e maio do ano passado, milhares de pessoas foram submetidas à quarentena nos piores momentos da epidemia, quando mais de 100 edifícios, entre universidades, centros médicos e casas, foram isolados.
Segundo o Ministério da Saúde chinês, o corpo da única falecida, que ainda era considerado caso suspeito, foi congelado para fins de desinfecção e posteriormente incinerado para evitar uma possível propagação do vírus.
O hospital onde morreu o doente, na província de Anhui, ordenou estas medidas, bem como a desinfecção de todas as salas do hospital. A cremação do corpo pode impedir que a causa da morte seja conhecida, embora os médicos tenham destacado que a evolução do paciente foi complicada por problemas cardíacos, dos quais já sofria.
Desconfia-se que a mãe, apelidada de Wei, poderia ter contraído a doença no início de abril, quando cuidava de sua filha doente.
Após dois meses sem informação sobre novos casos de Sars e com a chegada do calor, pensava-se no fim da doença. No entanto, na quinta-feira o Ministério da Saúde confirmou dois casos de Síndrome Respiratória Aguda Severa: um em Pequim e outro em Anhui (a filha da falecida), além de duas suspeitas.
Junto ao do estudante de Medicina de Anhui, o outro caso confirmado é o da enfermeira pequinesa Li Na, que, em junho de 2003, foi condecorada pelo governo chinês por sua "luta heróica" contra a doença.
Li, de 20 anos, trabalha no hospital Jingong, maior centro médico particular de Pequim, e um dos mais destacados no ano passado na luta contra uma doença que na capital chinesa causou a morte de cerca de 200 pessoas e atingiu mais de 2.500, segundo números oficiais.
Um ano depois, ressurgiram as críticas à forma como se lidou com a doença, e o médico Zhang Jiaolong, especialista em Sars, disse que é estranho que os médicos tenham demorado tantos dias para diagnosticar o vírus na enfermeira (de 7 de abril, quando foi internada, até 22). "É como no ano passado", disse o doutor, segundo o qual alguns hospitais "continuam sem condições de combater a doença".
O porta-voz da Organização Mundial da Saúde (OMS) em Pequim, Bob Dietz, criticou a falta de controle adequado da saúde dos funcionários do laboratório, agora submetido à quarentena.
As outras medidas adotadas foram a observação de pelo menos 250 pessoas que mantiveram contato com algum dos infectados ou suspeitos e a verificação da temperatura em fronteiras e aeroportos.
No final de dezembro e no início de janeiro deste ano, quatro novos casos foram detectados. Nenhum deles era grave e todos se recuperaram rapidamente, o que fez pensar que o vírus tinha perdido força.
Os casos foram registrados em Cantão, no sul da China, onde ocorreram os primeiros casos de Sars em novembro de 2002. Hoje, pesquisadores de Pequim anunciaram que começarão em breve a testar uma vacina para a doença, que no ano passado provocou alarme mundial em virtude da fácil propagação e da elevada taxa de mortalidade (de quase 10%).
EFE