Chico Siqueira
Direto de Araçatuba
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Por suas regras, o Primeiro Comando da Capital não recebe integrantes gays ou lésbicas, mas o comando da facção constatou que muitos deles estão sendo "batizados no partido" - como os presos o chamam. "O PCC nunca permitiu a filiação de homossexuais, mas como recebia sempre os dízimos e ajuda desse grupo, nunca puniu ninguém. Mas agora, esse salve mostra que alguma coisa aconteceu", disse um diretor da Secretaria de Administração Penitenciária de São Paulo (SAP).
Duas colaboradoras do PCC ouvidas pela reportagem disseram estranhar a regra. "Nunca tinham falado que não aceitavam mulheres homossexuais", disse R. L., 25 anos, que cumpriu pena em Centro de Ressocialização e saiu da cela no ano passado. R. é namorada de M. E. S., 28 anos, com quem dividiu cela no mesmo centro. "Saí agora em maio e fiquei sabendo disso. Vou tentar me afastar da facção", disse ela.
As duas atuam na organização de visitas de familiares aos presos. "A gente corre atrás de ônibus e de cestas básicas para os irmãos que estão presos, mas não queremos mais correr esses riscos", contam, temendo a perseguição da cúpula do PCC.
"A gente já vive preconceito na sociedade, agora aqui também, no submundo, temos de viver esse preconceito", dizem. "Se aceitarem a gente assim, vamos continuar, senão a gente sai", acrescentam.
Agentes ouvidos pela reportagem disseram que homossexuais presos não participam das reuniões internas da facção, que são realizadas dentro das celas.