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Marta quer contrapor "Cidade Limpa" a "cidade suja"

Domingo, 15 de junho de 2008, 19h31

Vagner Magalhães
Direto de São Paulo


A julgar pelo discurso de pré-candidata da ex-prefeita de São Paulo, Marta Suplicy (PT), o tema da coleta de lixo na capital paulista estará no centro da campanha eleitoral para as eleições municipais que se aproximam. Em 2004, quando ela tentou a reeleição, foi bombardeada por conta da criação da "taxa do lixo", durante sua gestão. Ela admite que a reprovação do imposto pela classe média pesou na derrota para José Serra (PSDB). Agora, ela pretende contrapor uma das bandeiras da campanha da atual administração, o projeto "Cidade Limpa", à falta de cuidado com o lixo. "A cidade nunca esteve tão suja", afirma.

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Segundo Marta, é só andar pela rua para ver. "A cidade está triste. Esse foi um dos motivos que me fizeram voltar à cena política de São Paulo", diz. Marta credita a situação à gestão Serra/Kassab, que reviu o contrato de coleta de lixo e varrição de ruas assinado por ela.

Em resposta à opositora, o atual prefeito, Gilberto Kassab, afirma ter sido correto o ajuste do contrato. Na visão dele, a cidade economizou em relação ao que estava previsto e hoje oferece um melhor serviço ao cidadão.

"O novo contrato foi benéfico para a cidade. Da forma em que estava, o contrato não era razoável. Esse contrato apresentou problemas ainda na própria gestão petista", diz. "E a cidade hoje está em uma situação muito melhor do que a que eu encontrei. Inclusive na coleta do lixo", diz.

Marta contra-argumenta que a decisão de rever o contrato foi apenas política. "O que aconteceu é que que eles diminuíram os valores só para dizer que estavam fazendo do jeito deles. O que não dizem é que ao cortar os valores, eles diminuíram os serviços contratados, como a implantação da coleta seletiva em larga escala", diz.

Kassab afirma que não abriu mão da coleta seletiva e que a Prefeitura tem planos de impantá-la gradualmente. "O que fizemos foi arrumar a casa para podermos colocar à disposição da população um serviço melhor."

Nesta semana, Marta fez uma viagem de ônibus entre o centro e o bairro da Lapa, na zona oeste da cidade. Da janela do ônibus, apontava para o lixo nas calçadas, para ilustrar o que dizia.

Ao assumir a Prefeitura, em 2005, José Serra anunciou que queria reiniciar todo o processo de concorrência, por causa das denúncias de fraudes e de superfaturamento registradas durante a licitação.

A escolha dos consórcios vencedores foi homologada em julho de 2004, seis meses antes de de Marta Suplicy deixar o cargo. O contrato, de 20 anos, custaria aos cofres públicos R$ 10 bilhões.

Redação Terra
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Terra - Brasil
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