Hermano Freitas
Direto de São Paulo
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No interrogatório, o pai de Isabella disse que o delegado titular do 9º Distrito Policial (Carandiru), Calixto Calil Filho, o chamou de "psicopata frio" e Anna Carolina disse ter sido pressionada pela polícia a culpar seu marido. O promotor afirma ter questionado o casal por ter apresentado a versão apenas nesta noite e disse haver "várias contradições" nos depoimentos dos dois.
"O que me chama atenção é que nenhum deles (advogados) tomou nenhum tipo de comportamento que poderia responsabilizar os policiais. Chama atenção nisso que esses advogados simplesmente silenciaram. Ou não acreditaram no que lhes foi contado ou nada aconteceu", disse Cembranelli.
Segundo o promotor, os réus não apresentaram "nenhuma resposta satisfatória" para terem trazido somente agora esta versão, apenas que preferiram "contar agora tudo ao juiz". A polícia nega qualquer tentativa de influenciar os depoimentos.
Entre as contradições apresentadas pelos réus em seus depoimentos, Cembranelli cita a omissão aos desentendimentos do casal. "Ele disse que tinha discussões normais, corriqueiras. Ela (Anna Carolina) narrou que as brigas eram "acirradas". Outra contradição diria respeito às chaves - Anna Carolina relata ter perdido chaves do apartamento, Nardoni nada fala sobre isso. Ainda de acordo com ele, os relatos ficaram dentro do que se esperava. "Negaram taxativamente evidências incontestáveis", disse.
De acordo com o promotor, Anna Carolina e Nardoni citaram a possibilidade de que até moradores poderiam estar envolvidos na morte de Isabella. "Um pedreiro inclusive foi citado como membro de uma quadrilha que fazia parte o filho do jogador Pelé. Foi aberto de tal maneira o leque que, a qualquer momento, um de nós pode ser tido como suspeito também", ironizou.
Segundo o promotor, a acusação de que a polícia não investigou outras versões é improcedente, já que, em sua avalização, checou todas as possibilidades da existência de um terceiro suspeito na cena do crime. "A lista de suspeitos, que parece que vocês todos já esqueceram, que a defesa disse que ia apresentar, até o momento não foi apresentado. Que lista de suspeitos é essa", questionou.
Cembranelli chamou de uma "verdadeira caricatura" uma possível reconstituição feita pelo legista George Sanguinetti, contratado pela defesa do casal. "Como é possível fazer uma reconstituição sem a presença dos envolvidos?", disse.
Os interrogatórios do casal não foram abertos à imprensa. Por isso, as informações sobre as oitivas foram passadas pela assessoria de imprensa do Tribunal de Justiça.
Isabella Nardoni, 5 anos, foi encontrada ferida no dia 29 de março no jardim do prédio onde moram o pai Alexandre Nardoni e a madrasta Anna Carolina Jatobá, na zona norte de São Paulo. Segundo os Bombeiros, a menina chegou a ser socorrida e levada ao Pronto-Socorro da Santa Casa, mas não resistiu aos ferimentos e morreu por volta da 0h.
O inquérito policial apontou que ela foi agredida, asfixiada e jogada do sexto andar do edifício. No dia 18 de abril, Alexandre e Anna Carolina foram indiciados por homicídio doloso, triplamente qualificado. No dia 6 de maio, o promotor Francisco Cembranelli denunciou e pediu a prisão preventiva do casal, aceita pela Justiça. Alexandre está preso na Penitenciária Dr. José Augusto Salgado (P-2), em Tremembé (SP), e Anna Carolina, na Penitenciária Feminina Santa Maria Eufrásia Pelletier, também em Tremembé.