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Jumento vira apicultor no sertão do Ceará

Domingo, 18 de maio de 2008, 01h06
Juraci ajuda carregando os favos de mel
Juraci ajuda carregando os favos de mel
16 de maio de 2008
Omar Jacob/Especial para Terra

Omar Jacob
Direto de Itatira


Em uma cidade a 206 km de Fortaleza, onde nem mesmo celulares funcionam, o mel conseguiu transformar um animal pacato e sem atrativos na sensação do momento.

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Juraci, o jumento apicultor de Itatira, tem atraído atenção não só dos outros produtores de mel da região, mas também de dezenas de curiosos e até da imprensa.

O dono, Manoel Juraci Vieira, trabalha no ramo há dois anos e conta que tinha dificuldade em carregar o mel dos apiários, uma espécie de colméia artificial, até as casas de mel, onde o produto é beneficiado.

"Tíanhamos que andar mato a dentro, em lugar que não dava pra levar um carrinho de mão, por exemplo. Estão eu tive essa idéia", conta.

Em dezembro do ano passado, e com a ajuda de outros apicultores, ele criou a indumentária para o bicho, com direito a tela e tecido especial, para não incomodar o animal.

"Ele não acha ruim. É meu amigo, daqueles fiéis mesmo, sabe?", avalia Manoel. Na hora de vestir a roupa, Juraci não faz cerimônia: até levanta as patas para facilitar o trabalho do dono.

"É uma graça", diz Socorro, esposa de Manoel. Todos os trabalhadores do mel da região têm registro na Associação dos Apicultores de Itatira e agora Manoel quer que Juraci também seja registrado.

"Acho mais do que justo", argumenta. A presidente da associação afirma que está avaliando o pedido: "Estamos analisando como é que vamos certificar esse jumento, mas que é merecidíssimo é!", reconhece Cláudia Guerra.

A expectativa dos associados é ampliar a experiência para todos os outros produtores. "É só uma questão de dias", afirma Cláudia.

A produção de mel é recente no município de Itatira. Há apenas 4 anos a cultura foi introduzida entre os produtores rurais e fez tanto sucesso que já ocupa a terceira posição na economia local.

"Antes tínhamos o ouro branco, que era o algodão. E os nossos pais compravam tudo com o dinheiro da venda dele. Agora não, o ouro é dourado mesmo", explica um dos apicultores da região, Júlio César Muniz.

O sabor da iguaria por lá é característico, graças à florada do marmeleiro, planta típica da região. Das casas de mel e em sachês, o produto segue para as escolas e é a parte preferida da merenda das crianças.

Redação Terra
Leia esta notícia no original em:
Terra - Brasil
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