Omar Jacob
Direto de Fortaleza
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O protesto começou às 9h de terça-feira e ao longo do dia se espalhou pelos outros seis terminais de ônibus da capital cearense. Houve quebra-quebra e praticamente todas as linhas que atendiam os terminais de Fortaleza ficaram paradas. Multidões não tiveram como voltar para casa ontem à noite e não puderam ir ao trabalho hoje cedo.
O impasse começou na semana passada, quando houve um "racha" entre o Sindicato dos Motoristas e Cobradores do Estado do Ceará (Sintro) e os profissionais. O Sintro entrou em acordo com o Sindicato das Empresas de Ônibus, o Sindiônibus, para um reajuste de 5% para a categoria, mas os motoristas reivindicam um reajuste de 28%, referente as perdas salariais dos últimos anos. Os motoristas não entravam em greve desde 2001.
"Não foi nada orquestrado, era pra ser uma reunião no terminal do Papicu para a organização de uma assembléia, depois disso não organizamos as outras manifestações", afirmou Nonato Martins, um dos líderes da Coordenação Nacional de Lutas (Conlutas).
"É um desrespeito com as pessoas. Eu e várias outras pessoas ficamos quase 4 horas esperando e até agora nada. Um absurdo, porque os poucos ônibus que têm já estão superlotados. Dizem que lá dentro estão pisoteando as pessoas", afirmou a estudante Helaine Matos.
Nas ruas próximas aos terminais, filas de ônibus se acumularam dificultando o trânsito. A maioria dos veículos teve os pneus furados pelos próprios motoristas, como protesto pelo embate entre profissionais e sindicato.
O presidente da empresa de transportes públicos de Fortaleza ameaçou hoje entrar na Justiça contra os motoristas. Um grupo formado pelo presidente e servidores da Empresa de Transportes de Forteleza, guardas municipais e polícia está neste momento tentando desobstruir os terminais.
Apesar do sindicato ter dito que não reconhece o movimento, os motoristas afirmam que vão continuar sem trabalhar e parando os poucos ônibus que ainda circulam enquanto não houver uma negociação com os empresários do setor para um reajuste salarial.
Todos os dias, cerca de 900 mil pessoas utilizam as quase 200 linhas de ônibus da capital cearense como único meio de transporte para trabalhar. Não há metrôs e o sistema complementar de transporte não consegue atender à demanda.