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Líder do Hamas morre em ataque israelense

Segunda, 22 de março de 2004, 00h46
Yassin era figura emblemática dos radicais palestinos (Arquivo)
Yassin era figura emblemática dos radicais palestinos (Arquivo)
22 de março de 2004
Reuters


O fundador e líder espiritual do Hamas, xeque Ahmed Yassin, de 67 anos, foi morto na manhã de hoje em um ataque realizado por helicópteros israelenses, que dispararam três foguetes deixando outras 7 vítimas fatais e 15 feridos, incluindo dois de seus filhos, provocando ódio, ameaças de vingança e uma forte tensão nos territórios palestinos. Yassin foi morto em sua cadeira de rodas na saída da mesquita do bairro de Sabra, em Gaza, onde tinha ido para a oração matinal. O corpo foi levado para o hospital Shifa.

Cerca de uma hora mais tarde, o Exército israelense confirmou em um comunicado sua responsabilidade no assassinato, enquanto milhares de palestinos saíam às ruas para manifestar contra a morte do líder. "O xeque Ahmed Yassin, chefe da organização terrorista Hamas, responsável por vários atentados e pela morte de inúmeros cidadãos de Israel e estrangeiros, foi morto em uma operação do Exército israelense, esta manhã, no norte da Faixa de Gaza", disse o texto, acrescentando que "depois deste ataque, toda a Faixa de Gaza está fechada e a região se encontra separada em três setores" temendo retaliações.

Segundo a rádio pública israelense, o primeiro-ministro israelense, Ariel Sharon, deu pessoalmente sua autorização para o assassinato de Yassin e supervisionou a operação. Israel decidiu intensificar suas ações contra os movimentos radicais palestinos em represália a um duplo ataque no porto israelense de Ashdod na terça-feira passada, que deixou dez mortos.

Este duplo ataque, contra um alvo considerado por Israel como "estratégico", foi reivindicado conjuntamente pelo Hamas e pelas Brigadas dos mártires de Al-Aqsa, ligadas ao Fatá, do presidente Arafat. "O xeque Yassin merecia a morte por todos os atentados terroristas cometidos pelo Hamas", declarou o vice-ministro da Defesa, Zeev Boim, primeira autoridade de Israel a admitir publicamente a eliminação do líder espiritual palestino.

As Brigadas Ezzedin Al-Qassam, braço armado do Hamas, prometeram em um comunicado um "terremoto" como represália, que inclui uma ameaça aos EUA. "Eles não cometeram este ato sem obter sinal verde da Administração norte-americana terrorista e esta deve assumir a responsabilidade por este crime", defendem. Os EUA fizeram um apelo a todas as partes do conflito entre israelenses e palestinos para que mantenham a calma e mostrem sua moderação.

O comunicado afirma que a retaliação ao assassinato de Yassin vai ultrapassar os limites dos territórios palestinos e de Israel. "A guerra está aberta contra esses assassinos, esses criminosos e esses terroristas", afirma a nota. Já o ministro palestino encarregado das negociações, Saeb Erakat, denunciou como "um crime desprezível" a eliminação do fundador do Hamas, Ahmad Yassin, advertindo que este homicídio intensificará a escalada entre palestinos e israelenses.

Depois que se espalhou a notícia de sua morte, milhares de palestinos seguiram para a modesta residência de Yassin, no bairro Sabra, de Gaza. Centenas de pneus foram incendiados nas ruas em sinal de lutom enquanto a rádio A voz da Palestina transmitia versículos do Alcorão e cantos patrióticos. As escolas da Faixa de Gaza permaneciam fechadas, também em sinal de luto. A rádio israelense falou de disparos de foguetes hoje contra Israel, ainda não confirmados. Toda a região está em estado de alerta máximo.

Enfermo há anos, Yassin é uma figura emblemática dos radicais palestinos e repetia que o Hamas não iria parar os ataques suicidas se o Exército israelense não deixasse de "matar mulheres, crianças e civis inocentes". O Hamas foi criado com o objetivo de construir um Estado islâmico na Faixa de Gaza.

AFP
Leia esta notícia no original em:
Terra - Brasil
http://noticias.terra.com.br/mundo/noticias/0,,OI282375-EI308,00.html