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O tremor foi sentido em quatro Estados. No Rio, seis municípios tiveram relatos de moradores que sentiram a terra tremer. Na capital fluminense, a Defesa Civil contabilizou registros em 19 bairros. Entre a noite de quarta-feira e início da madrugada desta quarta-feira, foram 54 chamadas de pessoas aflitas com a trepidação. Muitos pensaram em sair de casa com medo de desabamento.
Em Irajá, o tremor rachou um azulejo e soltou outro, no banheiro da professora Suely Siqueira Peçanha, 43 anos. "Foram segundos, mas um susto muito grande. Começou a balançar tudo, a porta balançava", conta. O filho, Reuber Vinícius, 10, foi o primeiro a perceber o tremor: "morri de medo. Pensei que alguém estava tentando entrar em casa. A porta balançou muito".
De manhã, engenheiros da Defesa Civil percorreram algumas regiões de onde recebera ligações. Uma das casas vistoriadas foi a do comerciante Edivaldo Miranda, 46, na Travessa Cunha Galvão, em Jacarepaguá. "Nunca desconfiei que pudesse ser um tremor. Minha filha mais velha estava no computador e disse que a cadeira tremeu. Quando a mais nova foi para o quarto, a cama estava em outra posição", relembrou Edivaldo, que pensou se tratar de problema estrutural do prédio.
O edifício ao lado também foi visitado pela Defesa Civil. "Quatro moradores me ligaram e eu achei que estivessem brincando. Eu moro no segundo andar e não senti nada. Terremoto no Rio? A gente imagina logo desabamento", contou a síndica Leila Lopes, 51.
O engenheiro Daniel Guerra tentou acalmar moradores. "Os andares mais altos sentem mais, mas as pessoas podem ficar tranqüilas", disse, confirmando que foi a primeira vez que recebeu um chamado desse tipo, nos três anos em que está na Defesa Civil.
No centro de Nova Iguaçu, susto também. "Estava sentada, assistindo à novela, quando percebi o abalo no prédio. O sofá trepidou por alguns segundos e minhas pernas e braços tremeram.Foi tudo muito rápido", contou a comerciante Evelim Rocha, 62.
Especialistas esclarecem que o Brasil está no centro de uma grande placa tectônica, mas, com a movimentação dos pedaços da crosta ao longo dos anos, o território adquiriu rachaduras, responsáveis pelos abalos sentidos no País. Geólogo da Universidade Federal do Paraná, Eduardo Salamuni explica que na Bacia de Santos há uma das 48 rachaduras que propiciam tremores: "geralmente os terremotos gerados pela Falha de Santos não ultrapassam 4 pontos. O que não foi comum é a magnitude desse tremor".
O Dia