Notícias Popular » Popular

Espanha: enfermeiras levam multa por não usar minissaia

Quarta, 26 de março de 2008, 11h00

Anelise Infante


Enfermeiras da Clínica São Rafael, da cidade de Cádiz, no sul da Espanha, foram multadas porque se recusaram a usar minissaia no trabalho.

O uso de um uniforme com saias curtas é obrigatório para as enfermeiras da clínica, mas um grupo de funcionárias decidiu desobedecer a norma e, como punição, cada uma delas teve 30 euros (cerca de R$ 80) descontados da folha de pagamento.

As 12 funcionárias fizeram uma queixa ao sindicato, que disse que vai entrar com um processo contra a clínica. "Nos sentimos como objetos decorativos. Na hora de trabalhar não temos liberdade de movimentos, nem podemos nos abaixar para atender os pacientes que estão em camas", disse a sindicalista Adela Sastre, presidente do Comitê das Enfermeiras, a um grupo de jornalistas diante da clínica.

Sastre comentou também que a medida tomada pela direção é "discriminatória". Primeiro, porque as eleitas para usar minissaias são as que atendem ao público e, depois, porque considera a idéia um "abuso por termos que expor nossos corpos para fazer nosso trabalho", disse.

Segundo a sindicalista, os diretores do hospital nem aceitaram ouvir seus argumentos, alegando que a última palavra é da chefia e que quem estivesse insatisfeita poderia reclamar na Justiça.

"Situação revoltante"
Diante da polêmica sobre as minissaias, a direção da clínica emitiu um comunicado assinado pelo dono da rede de hospitais, José Manuel Pascual, afirmando que "as normas são de responsabilidade da empresa."

As sindicalistas também denunciaram a represália da clínica à Secretaria Municipal de Saúde de Cádiz, na última quarta-feira. O governo local pediu explicações à direção da São Rafael e está esperando um informe detalhado sobre o caso.

A central sindical União Geral dos Trabalhadores (UGT), que apóia o processo das enfermeiras, definiu a situação como "revoltante e vergonhosa".

Segundo a agência de notícias espanhola Europa Press, a secretária sindical de Cádiz e porta-voz da UGT, Carmen de Porres, disse que "parece mentira que em pleno século XXI todo mundo fale de igualdade entre homens e mulheres e existam empresas deste tipo, em que só homens podem usar calças".

A porta-voz comentou ainda que o uso deste tipo de vestuário, "com saias, meias e outros elementos, deixou de ser usado há mais de 20 anos porque em muitos aspectos era pouco funcional para o trabalho das enfermeiras."

Porres afirmou ainda que, pelo visto, na rede a que pertence a clínica de Cádiz, a norma é que "a saia sobe cada vez mais e o decote vai baixando".

BBC Brasil
Leia esta notícia no original em:
Terra - Brasil
http://noticias.terra.com.br/popular/noticias/0,,OI2709206-EI1141,00.html